O retrocesso a algumas palavras gregas falantes mostra que “vigorar” (An-wesen) significa trazer-se à vigência (sich an-bringen), o que se manifesta como brilho (Bracht), esplendor (Pracht), aparecimento (Er-scheinen) e fulgor (Glänzen), indicando que o ente, enquanto vigente, é o que se traz à mostra e, assim, se faz valer.
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Palavras como períosion (περίωσιον), periosía (περιωσία), parousía (παρωσία) e, finalmente, ousía (οὐσία) — que inicialmente significa “propriedade” (Vermögen), “posse” (Habe) — pertencem ao mesmo campo semântico, pois a posse só pode ser o que já está diante de si, o que vigora por si mesmo.
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No “vigente” (Anwesendes), pensado gregamente, ressoa que ele oferece algo para ser tomado, e que só pode oferecer isso porque já lhe está à disposição a partir de si mesmo; o vigente traz-se à vigência e se coloca à mostra, e “an-wesen” (vigorar) diz “an-bringen” (trazer à vigência), sendo “trazer” (bringen) o deixar chegar e vir à presença.
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O trazer-se à vigência (Sichanbringen) acontece como aparecimento (Erscheinen) no sentido daquele brilhar (Scheinen) que se conhece no nascer e brilhar do sol, que é o próprio sol; o brilhar (Scheinen) é o desabrochar do puro reluzir, no qual o que desabrocha deixa aparecer, e é um luzir (Leuchten), um fulgurar (Glänzen), no fulgor do qual outra coisa resplandece.
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O vigente (Anwesende) como o trazido à vigência (Angebrachte) é o brilho (Bracht), o esplendor (Pracht): o fulgurante (Glänzende) — o que se oferece no fulgor (Glanz), e o que ultrapassa o ente como vigente, o que vai além do habitualmente trazido à vigência, diz-se períosion e pode tomar várias direções, sendo traduzido como “além da medida”, “acima do mérito”, “excessivo”.
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Períosia (περιωσία) traduz-se corretamente por “riqueza” (Reichtum), pensando-se no excesso, mas literalmente pensa-se no que vai além do vigente habitual (über das Anwesende sonst hinausgeht), permanecendo ao redor (perí) e envolvendo-o, de modo que o periòsion é o que ainda se eleva ao redor do que se eleva e é mais vigente (anwesender) do que o ente habitual.
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O “restante” (Übrige) não é um mero acréscimo, mas a fonte no vigente (Quell im Anwesenden), o inesgotável que sempre traz o brilho (Bracht), e periòsion significa: mais ente do que o ente habitual: mais vigente, mais trazido à vigência, aparecendo no alto fulgor do simples brilhar, onde o fulgor não é um verniz que cobre, mas o luzir que traz o vigente à sua vigência.
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O brilho (Glanz) é o próprio vigorar (Anwesen), e o vigente (Anwesendes) resplandece como tal no fulgor da chegada (Ankunft), e se algo vigora para além de outro, deve vigorar uma medida (Maß) no vigente, segundo a qual algo pode ser mais vigente (anwesender) do que outro, e o mesmo ente pode ora mais, ora menos vigorar.
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A possibilidade de uma apreensão adequada do ente é uma consequência da medida (Maß) em que o vigente se traz ao brilho, e a aparência de falta de medida no ente habitual é o mais inquietante, caso a medida dessa falta de medida seja um dia experimentada.
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A possibilidade da apreensão moderna da natureza como conquista (Eroberung) também é uma consequência da medida em que o ser deixa o ente chegar e lhe retira o vigorar, e isso depende de como o ser se retira, podendo até mesmo se entregar à “consciência” e acontecer como objetividade (Gegenständlichkeit), levando o homem a se insurgir contra o ente para subjugá-lo.
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A reflexão sobre as palavras gregas que nomeiam o ente como vigente não prova nada, mas visa apenas indicar (weisen) o pensamento para o que a palavra grega diz, e esse indicar baseia-se no contexto do dizer grego, cuja clareza e altura na proximidade com o “ente” não pode ser superada, como se vê no início da Quinta Ode Ístmica de
Píndaro.