O Sein domina assim sobre o Seienden, cuja Fülle (plenitude), tomada segundo a Vernehmlichkeit (perceptibilidade), fala aos sentidos e permanece o que imediatamente irrompe no Erscheinen (aparecer) — ekphanestaton —, mas que ao mesmo tempo, como Seiendes, procura manter-se no Sein e o aspira — erasmiotaton; o Sein mesmo é o puro Herauskommen (vir à tona) no Erscheinen como o Anstreben (aspirar) do Bleibens (permanecer) e Ruhens (repouso) — to kalon; em outra perspectiva, to agathon.
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O Sein se torna assim o überhöhende An-sich (Em-si elevado) e o eigentlich Seiende (propriamente ente).
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O “Seiende” em geral se torna aquilo que carece do An-sich e está marcado com um “Nicht”.
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O Seiende fica agora abaixo e atrás do Sein como o Geringere (menor).
A Unterschied (diferença) entre o Sein e o Seienden — ela mesma grundlos (sem fundamento) e bereichlos (sem domínio) — não vem ao schiedlich-öffnenden Wesen (essência que discrimina e abre), porque a Aletheia permanece verborgen, mas assume a Gestalt de uma Abhebung des Rangmäßigen (distinção hierárquica) — o Sein é o Höhere (Mais Alto), o Frühere (Anterior): o Bedingende (condicionante) da coisa.
Como o Sein se torna historicamente Metaphysik? De tal modo que a Aletheia, mal se iluminando em relação à Verbergung (velamento) e à Bergung (acolhimento), permanece ela mesma verborgen e portanto vergessen (esquecida) — esse é o wesentliche Anfang der Seinsvergessenheit (início essencial do esquecimento do Ser); que com isso o Menschenwesen não seja chamado para a Wahrung der Wahrheit des Seyns; que o Seiende e o seiende Mensch se desdobrem postos no Unverborgenen no Hervorgehen (produzir) e no Her-stellen (pôr-de-pé) — poiesis, techne, episteme, aition; que assim, no Seienden, o Seiend e a Seiendheit permaneçam contudo como o “Wesende” e superem tudo diferenciadamente, impulsionando a Unterschied do ontos on e do me on como a do Sein e do Seienden, prefigurando para a Metaphysik o Grundgefüge (estrutura fundamental).
O Grundzug (traço fundamental) da Metaphysik como uma Geschichte des Seins consiste em que aqui o Sein chega à Unterschied em relação ao Seienden, mas essa Unterschied e os Unterschiedenen — isto é, o Sein e o Seiende — chegam à Bestimmung do ontos on e do me on: o Sein, o eigentlich Seiende; o Seiende, o eigentlich Nicht-Seiende.
Se a Metaphysik surge assim, por que surge afinal? Suposto que seja permitido fazer tal pergunta, ela se determinou de modo mais preciso — é a pergunta: por que a Aletheia permanece verborgen em relação à Verbergung e à Bergung? Por que o Seyn não se entbirgt (desvela) como Verbergung e Bergung? Por que se desvela primeiramente apenas a Entborgenheit, e esta apenas como o Entborgene, de modo que também este logo, mal brilhando e resplandecendo, concede ao Anwesenden como tal a essência de ser Seiendes?
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Por que a Verbergung e a Bergung se velam de tal modo que mesmo para a Metaphysik esse Verborgenbleiben é em toda parte vergessen, porque inicialmente unbeachtet (desatendido)?
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Por que o Sein surge apenas no Aufgehen (physis), de modo que mesmo este nunca pode desdobrar sua plena Wesen, mas se retrai diante da ousia e se submete à Umbildung (transformação) desta em energeia?
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Por que o Sein inicialmente se retém de tal modo? Por que spart (poupa) a si mesmo?
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A única resposta possível: porque o Sein já como Aletheia é demasiado lichtend (iluminante) e demasiado wesend para o Menschenwesen, para que o homem pudesse entsprechen (corresponder) ao Sein mesmo de modo puro e constante e in dieser Sprache wohnen (habitar nessa linguagem).
No Seyn mesmo, portanto, vige uma Rücksicht (consideração) pelo homem; ao perguntar se o Seyn necessita do homem ainda se pergunta no sentido do Sein que brotou da Aletheia, sem contudo copensar o decisivo: que precisamente nesse Anfang o Seyn an sich hält (se retém) e, no Sichsparen (poupar-se), simultaneamente atesta a wesenhafte Bezug (relação essencial) com o Menschenwesen, sem que esse Bezeugung (testemunho) possa ser experimentado no Anfang.
A Rücksicht auf das Menschenwesen pertence ao Seyn tão essencialmente que já não se pensa mais o Seyn quando se diz “das Sein” e se nomeia o homem como algo inteiramente diferente e Unbeteiligtes (não envolvido) — apenas também ao lado e além; “Seyn” é como o Er-eignis a Ereignung des Menschenwesens para a Wahrung der Wahr-heit, a qual Wahr-heit, como Bergung der Verbergung, acontece a Entbergung e tem em si como Eigentum a Unverborgenheit, o Aufgehen e o Anwesen.
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Porque ao Seyn pertence o Brauchen (necessitar) do Menschenwesens, por isso já o erstanfängliche Sein (Ser primeiramente inicial), a Aletheia, é o Geschick (envio) de um Brauchen do homem no sentido do anfänglichen Schonens (poupar inicial) e Vorbereitens (preparar) — zoon logon echon.
O Zu-Lichtende der Aletheia não consiste no Lichten der Unverborgenheit, mas no Überhellen (sobre-clarear) da Verborgenheit, da Verbergung e da Bergung que nela vigem — esse Überhelle necessariamente ofusca e aparece portanto mais escuro do que qualquer Dunkle dentro do zugänglich Hellen und Erhellten (claro e iluminado acessíveis).
O Conceito Metafísico do Início
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Schelling, em “As Idades do Mundo” (WW I, VIII, 220), afirma que o Anfang é apenas Anfang na medida em que não é aquilo que propriamente deve ser, o wahrhaft und an sich Seyende (verdadeiro e em si mesmo ente).
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Schelling afirma ainda (VIII, 224) que apenas no Wollen (querer) em geral reside a Kraft (força) de um Anfangs — cf. Wollen ist Ursein (querer é ser originário), no Tratado da Liberdade — e que todo Anfang repousa no fato de que não seja aquilo que propriamente deve ser, o an sich Seyende (VIII, 224).
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Schelling (VIII, 227) afirma que se o Nein não existisse, o Ja estaria sem Kraft; kein Ich ohne Nicht-Ich (não há Eu sem Não-Eu), e nessa medida o Nicht-Ich é anterior ao Ich.
“O Seiende” (Schelling)
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Em
Schelling, “das Seiende” é o que realiza o Sein como Wirklichkeit (realidade efetiva) — das Wirkliche, onde Seiend equivale a Wirkend (atuante) (VIII, 221); aqui o Sein é transferido ao Seienden e posto abaixo dele — o Seiende acima do Sein.
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Segundo
Schelling (Weltalter 222), é sempre conceitualmente o Seyende aquilo em que o bejahende Prinzip (princípio afirmativo) é wirkend (atuante) e äußerlich offenbar (exteriormente manifesto); o Sich-wollen (querer-se-a-si-mesmo) é o Grundlage (fundamento) da Egoität.
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O “Urgegensatz” (conflito originário) (Weltalter 227): 1. Seiend = Wirkend; 2. Seiend = erscheinend — offenbar; 3. das seyend Seiende é o offenbare Wirkende, o wirkend Offenbare.
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Das Nicht-Seiende gleichwohl Sein — Sein = Wille; sich-selbst-setzen als nicht seiend e sich selber Wollen são, portanto, uma e a mesma coisa (Weltalter 224); Wille — Sich Wollen — sich als nicht seiend setzen; Wille in sich nein und ja.
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me einai — nicht Sein; me on einai — Nicht seiend Sein (Weltalter 221).
A Insurreição da Essência Humana na Vontade
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Onde há Aufstand (insurreição), há Gegenstand (objeto); ao tipo de Aufstand corresponde o modo do Gegenstandes; a Vergegenständlichung (objetivação) como Grundhaltung (atitude fundamental) se funda no Aufständischen (insurrecionário).
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A Vergegenständlichung pode de certa forma tornar-se unbedingt (incondicionada).
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Ela então se apodera também do aufständischen Bezirkes (domínio insurrecionário).
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O Menschenwesen em Aufstand (a Subjektivität) fica ele mesmo sujeito à Vergegenständlichung.
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Em que medida a Vergegenständlichung é necessariamente um Rechnen e, portanto, previamente uma certa espécie de Dichten? (Cf.
Nietzsche XII, 242) — cf.
Nietzsche sobre Wahrheit e Kunst, sobre os Werte der Erhaltung und Steigerung (valores da conservação e do aumento).
Metafísica e Cristianismo
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Cf. Augustinus, Confessiones, lib. VII, cap. 9, n. 13: afirma ter lido nos livros de
Platão “in principio erat verbum” e grande parte do capítulo de João.
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Cf. Meister
Eckhart, Prooemium à Expositio Sancti Evangelii secundum Ioannem.
O Ereignis e a Consumação da Metafísica
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Em que medida o Wille zum Willen deve separar-se na äußerste Entzweiung (mais extrema cisão) para consumar-se a partir dela?
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O Wille zum Willen é o Sein na Vollstreckung (execução) de seu Unwesens (não-essência).
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O Sein, porém, west no Unterschied em relação ao Seienden.
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O Wille zum Willen quer a si mesmo de modo duplo: uma vez na unbedingten Ausschließlichkeit (exclusividade incondicionada) quer a si e quer o Nichts para poder ainda querer-se até o extremo; quer o Seiende por ele em toda parte tensionado no Willenshaften (volitivo, trágico) e seu domínio; quer o Einen e o Anderen — o Seiende e das Nichts —, que willenshaft (volitivamente) se insurgem um contra o outro e willenshaft nichtend (aniquilam) e necessitam da allseitigen Vernichtung (destruição universal) como caminho ao Nichts des Seienden.
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Dessa Vernichtung que brota do Unwesen des Unterschieds no Wille zum Willen provém a geschichtliche Notwendigkeit do “totalen Weltkrieges” (guerra mundial total), que com esse nome é apenas mal denominado, porque denominado a partir do anterior.
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Still west einstig die Wahrheit des Seyns — unantastbar durch die Vernichtung (silenciosamente vige outrora a verdade do Seyn — intocável pela destruição). Das Ereignis.
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Quando o Wille zum Willen força a humanidade para a Besinnungslosigkeit (ausência de meditação), essa Besinnungslosigkeit se separa em duas formas da unbedingten Vollstreckung (execução incondicionada).
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Uma impele o Menschenwillen para o Wollen como Sichwollen (querer-a-si-mesmo) a qualquer preço — o Menschenwille se força, entregue ao Wille zum Willen, ao diktatorisch-terroristischen Heroismus.
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A outra impele o Menschenwillen para a schrankenlose Berechnung (cálculo sem limites), que não conhece mais nenhuma Ziel e usa todas as Ziele apenas como Vorwände (pretextos) para consumar a Unterwerfung (submissão) de tudo ao Berechenbaren (calculável).
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A Besinnungslosigkeit não deixa mais lugar ao Denken; a wesenhafte Unmöglichkeit des Denkens, porém, brota do Verborgenen: que o Menschenwesen (dentro da Metaphysik) permanece unwürdig (indigno) do Vermögens zum Denken (capacidade de pensar).
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O Wille zum Willen, a Endgestalt (forma final) da Seiendheit des Seienden dentro da Vollendung der Metaphysik, consuma-se a si mesmo de uma maneira cuja Wesen só pode ser nomeada na römisch-europäischen Gemeinsprache (língua comum romano-europeia); o vollendete Wille zum Willen, que quer sua própria Verendung (finação) como o Letzte que lhe restou para ainda poder ser querido, é o diktatorisch-terroristische Heroismus.
O Wille zum Willen
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De onde provêm as antreibenden und hetzenden Kräfte (forças impulsionadoras e caçadoras) que vigem sobre a terra degradada a Rohstoffgebiet (território de matéria-prima)? De onde vem a Loslassung (desencadeamento) dessas Kräfte? O que é uma Kraft? São as Gewalten (potências), que na Gestalt dessas Kräfte assaltam e subjugam o Denken, unbezähmbar (indomáveis)? De onde provém a Lust (prazer) na Besinnungslosigkeit, que aclama toda Gelegenheit (oportunidade) de Flucht (fuga) para a Aktivität der Aktion?