O poeta — do tempo por vir — é poetado, quer dizer, esse poeta é ele mesmo fundado; o primeiro iniciante deve tornar-se
Hölderlin — esse homem — ele mesmo, mas esse “tornar-se” não se cumpre em que esse homem diga e componha certas palavras e por tal desempenho assuma uma missão; o “tornar-se” é aqui o salto não apenas para um modo diferente de ser humano, mas para o ser-aí, que funda, conserva e suporta o “Aí” — a clareira dos âmbitos das decisões entre o deus e o homem, a terra e o mundo — como o lugar-tempo do próprio Ser; o fundador insistente do ser-aí não pode descrevê-lo, mas deve sê-lo, errando por sua clareira; por isso ele diz, ao dizer, sempre outra coisa, e contudo o dito nunca é o conteúdo sustentável, tampouco símbolo, mas um aceno dos acenos para a história daquele salto do homem
Hölderlin no ser-aí do poeta, enquanto insistente no ser-aí que nosso pensamento denomina aquilo que o poeta, ainda pré-fundando e para além das gerações de hoje e de amanhã, conserva; por isso seu afastamento do simples e oculto florescimento da humanidade é tão definitivo, e a definitividade da despedida não deixa simplesmente regressar a antiga essência das coisas — a despedida é antes e somente a recolha fundadora de tudo o que foi perturbado do habitual e do gasto na silenciosa magnificência do pertencimento ao Ser inalcançável.