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O não do pensar seyns-histórico é o não apropriado, pertencente ao seer: não se deixa envolver no insistir no ente e em sua interpretação dominante, mas tampouco deixa escapar aquilo que se recusa e, ao recusar, precisamente retém.
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O não do seer é afinado pela tonalidade da voz do silêncio da quietude da brandura da Er-eignung.
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Esse não é o eco do nada no seer e jamais deve ser rebaixado à mera negação, nem precisa ser primeiramente inserido numa afirmação.
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O “não” dito facilmente sugere a ideia do resistente, do contrário e da rigidez; enquanto, de fato, diz-se antes o “oposto”, se aqui fosse permitido explicar ludicamente que o não seria um “sim” — mas não é um “sim”, e sim o não como insistência na recusa.
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Se o não é o eco do nada no seer e, portanto, da vigência do seer, então vigora nele a con-sonância (não o sim da afirmação do ente — do efetivo — não o dizer-sim à “vida”) com a voz e a tonalidade do seer.
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Essa con-sonância revela-se como profundidade essencial do ser-aí e mostra o fundamento do ser histórico do homem; aqui o homem está no próprio e, assim, propriamente, não necessitando mais do Si-mesmo no sentido do “egoico” e do “sujeito” que, como “espírito” e “razão”, tem a si mesmo.
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Con-sonância é essencialmente Negativação — mas con-sonância não é primeiramente afirmação, onde já se extinguiu a tonalidade à qual o ser-aí é apropriado e que desapareceu em favor do ente.
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A palavra tem sua essência na nomeação, e esta é experiência do seer; nomeação primeiramente como Er-eignung no silêncio da quietude do seer — apenas como silenciante ela pode, no som, romper o silêncio; assim a palavra torna-se som-da-palavra e assim surgem palavras que, porém, estão antes recolhidas e unidas na essência da palavra.
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O homem fala sem pressentir que assim rompe o silêncio essencial que não é capaz de conhecer; de uma ruptura brota o dito; e apenas um dito do seer funda para o ente uma verdade.
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O dizer do seer não se deixa encerrar em regras nem produzir segundo modelos; sem forma, deve prescindir também dos “métodos” da “filosofia” e abrir mão da “sistemática” — não como se fossem meros invólucros exteriores de qualquer plenitude de pensamentos; o “sistema” e o “método”, supondo-se que tenham permanecido autênticos, brotaram inteiramente de uma única interpretação do ser (a “matemática”, que a partir da ideia compreende o ser como “subjetividade”).
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O dizer tampouco encontrou seu início quando se apoia na linguagem cuidada e pratica a limpidez da palavra, pois aqui a beleza do discurso pode facilmente iludir sobre a originariedade (isto é, sua ausência).
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O pensar seyns-histórico poderá primeiro apenas pré-dizer o prefácio e este, com muito esforço, para a palavra propriamente dita; mas talvez se realize um primeiro ensaio de uma transformação do ouvir o dizer pensante.
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Talvez precise o pleno rigor da essência da palavra ser tomado a sério e ao dizer ser atribuída uma vocação diante da qual ele recua à primeira vista, sem saber que aqui talvez o terror no seer tenha se tornado o afinador; talvez a palavra deva retro-dizer ao silêncio, permanecer publicamente inaudível e inaudita e desvincular-se da opinião de que a trivialidade pública seja a medida da verdade da palavra.
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Talvez o pleno rigor do ensilenciamento do seer e de sua taciturnidade deva ser assumido, e talvez essa quietude afine toda insistência do ser “do” aí — como clareira do seer.
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Talvez esteja aqui diante do pensar o passo mais simples para um âmbito cuja mundaneidade ainda nos é totalmente oculta.
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O in-audito da palavra do seer — que nenhum ouvir ainda pôde estar à sua altura para conquistar e atribuir a palavra à acolhida — também não será perturbado pelo passar-por-cima-com-o-ouvir; mesmo não-ouvida e sobre-ouvida é a palavra do seer, e pertence à vigência do próprio seer se e quando ele se resolve para a voz afinante; a história do seer permanece fora do cálculo, não apenas, mas também de todo pressentimento — este, no máximo, pode apenas pré-pensar instantes da decisão da verdade do seer, mas nunca determinar previamente o agora.
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A aspereza do pensar é mais adequada à tonalidade da voz do seer do que qualquer maleabilidade de outras aberturas.
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O ente não é o agente, não o eficaz, não o efetivo — o ente é apenas aquilo que vigora no seer; o seer de-termina como tonalidade, e esta não se dispõe “em torno” das coisas — assim apenas parece, porque interpretamos erroneamente a origem da tonalidade; ela está “em torno” do ente porque o perpassa e o irradia de tonalidade; o de-terminar da tonalidade não é um pro-vocar nem muito menos um causar — o de-terminar é sem efeito porque dispensado de efeitos.
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A tonalidade tem a essência da Er-eignung no próprio; entrega ao pertencimento da pobreza, que é sozinha rica o bastante para oferecer o não-efetivo — isto é, o poetado e o pensado e o pensável no pensar-produzindo.
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Mas na maioria das vezes o homem calcula com o que o ente é “além disso”, isto é, habitualmente para o esquecimento do ser, que, entregue ao ser mesmo assim, empreende sempre de novo computá-lo a partir do ente.
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O seer é o mais ente; mas o mais ente não é nenhum ente, mas o seer como Er-eignis; o seer é o seer.
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Nesse dizer funda-se o confronto com toda metafísica, pois esta situa o ser ao mesmo tempo na generalidade do representado em geral e no supremo da primeira causa, sem fundamentar suficientemente esse “ao mesmo tempo”; no lugar da causação de todo ente e, com ela, também do homem como ser racional (que pensa em conceitos e, portanto, em representações da entidade), entra, com o desdobramento da metafísica moderna da subjetividade, a construção do Absoluto e no Absoluto — e a questão não-colocada e não-resolvida da antropomorfia permanece.
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“O seer é o seer” distingue-se também do estin gar einai de
Parmênides.
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O seer é, enquanto jamais se deixa derivar do ente nem con-dicionar por coisas, o in-condicionado.
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O seer é, enquanto não é primeiramente por relação ao ente, o não-relativo e, dessa espécie, o ab-soluto.
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O seer é, enquanto apenas “propriamente” “é” (istet), vigora como ser, o mais ente e, por isso mesmo, nunca um ente.
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Apesar disso, o seer não é “Deus”; apesar disso, o seer não se deixa despedir com a caracterização de que seria o “mais geral”; apesar disso, tampouco ajuda nunca uma explicação do ser pelo esclarecimento do modo como um homem — tomado como animal rationale — representa e “abstrai” o ser.
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Mas com o saber do anterior, a questão da relação do seer com o homem e a questão da distinção entre o ser e o ente alcançam pela primeira vez sua dignidade inicial e genuína.
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A aparente “neutralidade” do seer — indiferente a todo ente? puro “elemento”? — não vigora no seer o nada! O neutro poderia — não precisa — ser sempre apenas o ente e um ente.
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O pensar “do” Er-eignis, por ele apropriado, permanecendo em sua clareira, colocado a iluminar no “espaço” que inicialmente é, em sua essência, o escuro.
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O pensar do Er-eignis não pensa sobre “fundamento”, não sobre condições do possibilitar, não sobre liberdade, representação e ipseidade, mas a Er-eignung super-entrega a des-apropriação de todo ente que, na figura de sua entidade e das desfigurações desta, quer logo tomar o lugar sem-lugar do seer.
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O dizer tem a aparência de “dialética” e antitética — ouvi-lo assim significa ficar preso à obra exterior, em vez de ouvir a partir da vigência e nela permanecer.
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Aqui também não há “teo-sofia”, pois agora o seer não é apenas (como a divindade acima de Deus) mais “apriorístico” do que o ente, mas o “entre” — o Er-eignis determina uma outra história.