Das Ereignis (1941-1942) -Vorworte - Der erste Anfang - Der Anklang - Der Unterschied - Die Verwindung - Das Ereignis. Der Wortschatz seines Wesens - Das Ereignis - Das Ereignis und das Menschenwesen - Das Daseyn - Der andere Anfang - Weisungen in das Ereignis - as seynsgeschichtliche Denken (Dichten und Denken) [2009]
O acontecimento apropriativo (Ereignis)
Palavras prévias
1. A advertência de Sófocles em Édipo em Colona situa a questão da garantia diante daquele que não consegue ver adequadamente e associa a possibilidade de falar com lucidez à capacidade de apreender aquilo que se mostra, fazendo da visão uma condição para a sustentação do dizer.
2. A garantia (arkesis) designa aquilo que oferece um apoio capaz de sustentar, de modo que a segurança buscada não se reduz a uma certeza abstrata, mas remete àquilo em que o dizer e o compreender podem encontrar sustentação.
3. Visualizar (blepein) significa apreender o aspecto do ente, das coisas e das ações, embora aquele que permanece preso a essa forma de visão possa enganar-se justamente porque, apesar de captar os aspectos do ente, continua cego para o ente enquanto tal.
4. Ver (horan) significa ter olhos para o ser (Sein), isto é, para a verdade do ente em seu envio destinamental, sendo essa visão atravessada pela dor da experiência e por um padecimento que chega até o sofrimento provocado pelo completo velamento do curso do caminho.
5. A a-presentação não constitui descrição, relato, sistema ou aforismo, mas tentativa de uma palavra que responda ao que se funda como saga da exportação resolutora (Austrag), abrindo um curso de pensamento semelhante a um caminho na floresta, no qual a exposição deve corresponder ao movimento próprio daquilo que procura pensar.
6. Desde Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo), tudo se encontra transformado nessa saga, de modo que o pensamento posterior já não pode simplesmente repetir o caminho anteriormente percorrido, mas deve responder à transformação ocorrida na própria experiência do acontecimento apropriativo (Ereignis).
7. O destino do seer (Seyn) é transposto para junto dos pensadores, e sob cada uma das palavras fundamentais deve ressoar o mesmo acontecimento apropriativo (Ereignis), cuja consequência se determina a partir da essência da resolução (Austrag), à insistência da qual a saga talvez tenha permanecido até então apropriativamente entregue.
8. Toda palavra responde à reivindicação da viragem (Kehre), porque a verdade do seer (Seyn) deve essenciar-se no seer (Seyn) da verdade, fazendo com que o dizer fundamental se mova no interior da pertença recíproca entre verdade e seer.
9. O anel da viragem (Kehre) assinala a transversão dos inícios, enquanto o pensamento da história do seer (Seyn) se funda no abismo (Abgrund) na medida em que nele insiste na verdade e, a partir dessa insistência, transforma-se em palavra.
10. A junção do seer (Seyn) no acontecimento apropriativo (Ereignis) constitui uma junção que é simultaneamente conjunção e juntar-se, de modo que a junção fugidia do seer faz com que um e outro se partam da própria junta e se encaminhem para o início.
11. O pensamento não se encaminha simplesmente através do universo nem permanece preso ao todo do seer (Seyn), mas se dirige, no acontecimento apropriativo (Ereignis), para o início sem jamais instalar-se definitivamente nele, juntando-se de maneira pensante e realizando, mediante esse juntar, a resolução (Austrag) da diferença na despedida.
12. A a-presentação avança e retrocede segundo a viragem (Kehre), mostrando-se como o soar reiterado entre ressonância e consonância, razão pela qual seu movimento não pode ser reduzido à progressão linear de uma demonstração.
Sobre Contribuições à filosofia (Do acontecimento apropriativo)
13. A a-presentação assume, por vezes, uma forma excessivamente doutrinária, circunstância que ameaça converter o movimento pensante do acontecimento apropriativo (Ereignis) em formulações aparentemente fixas e sistemáticas.
14. O pensamento conserva apoio doutrinariamente justificado na distinção entre a questão fundamental (Grundfrage) e a questão diretriz (Leitfrage) no interior da questão do ser (Seinsfrage), mas essa própria questão ainda permanece concebida segundo o estilo da metafísica, em vez de ser pensada a partir do modo de ser próprio da história do seer (Seyn).
15. Mesmo o início precisa ser pensado a partir da realização dos pensadores e não segundo uma suposta unidade essencial com o acontecimento apropriativo (Ereignis), pois o caráter inicial do pensar somente se determina no efetivo cumprimento histórico de sua realização.
16. O acontecimento apropriativo (Ereignis) ainda não alcança uma essenciação (Wesung) puramente inicial do abismo (Abgrund), no qual se prepara simultaneamente a chegada do ente e a decisão acerca dos deuses e do ser humano, permanecendo ainda impensável o pensamento do último deus (der letzte Gott).
17. O ser-aí (Da-sein) é pensado essencialmente a partir do acontecimento apropriativo (Ereignis), embora ainda de maneira excessivamente unilateral com vistas ao ser humano, de modo que sua pertença ao acontecimento ainda não alcança plenamente a determinação requerida.
18. O ser humano ainda não é pensado de maneira suficientemente histórica, pois sua essência não pode ser determinada adequadamente enquanto permanecer considerada fora da história do seer (Seyn) e da transformação que nela acontece.