1.E. Seyn

C. Anaximandro

E. A caminho do primeiro início — a preparação para o pensamento do seer em sua historicidade, de modo a permanecer sobre a ponte

68. Ser é ao mesmo tempo o mais comum e o mais vazio, o mais compreensível e o mais banal, o mais confiável e o mais dito, o mais esquecido e o mais compelente, sendo também o excedente e a singularidade, o velamento e a origem, o abismo e a reticência, a rememoração e a libertação.

69. Chegar ao domínio da disposição da palavra do seer exige tornar-se atento à reivindicação do dito do início, atenção como obediência, e obediência como paciência e magnanimidade frente à dor inceptual, experiência do fundamento abissal, sendo essa disposição da reivindicação o que dispõe o humano à firmeza na preservação da clareira do seer.

70. O destino do seer transita para os pensadores, cujo dizer, ao suportar a transição, deve frequentemente falar no modo da negação, sem que essa linguagem negadora permaneça no plano do negativo e reativo, sendo antes determinada pela riqueza do ser, pela diferença como inceptualidade que parte, tampouco constituindo negatividade da dialética absoluta — um “não” insuprimível cuja impossibilidade de superação é sinal da transição inceptual.

71. A aletheia talvez pertença à cadeia de montanhas da diferença, desabando subitamente dessa cadeia e nela permanecendo velado o destino (Geschick) do seer, sem que ali vigore nada do tempo passageiro nem da eternidade, sendo essa cadeia de montanhas o lugar em cuja figura a essência do tempo eventua a partir da proximidade mundana.