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O pensar seynsgeschichtlich originário do que o título Ser e Tempo nomeia como interrogação pode dizer: ser e tempo são o mesmo, o ser é o começo, o tempo é o começo, e o que está em jogo é a inauguração do começo.
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Todos os sinais indicam que a época não está madura para receber a comunicação de uma autocrítica de Ser e Tempo, pois ela a processaria como confirmação conveniente de suas suspeitas e rejeições, como ocasião para recair na metafísica e para desvincular-se de qualquer tentativa de salto para o originário.
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Uma vez que a questão da verdade do ser foi formulada em Ser e Tempo, torna-se fácil, à maneira habitual do eco tardio, encontrar essa questão já em pensadores anteriores; mas se ela fosse encontrável, isto é, se estivesse lá, seu pensar não seria mais metafísica.
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Em
Hegel o ente absoluto é o espírito como saber de si mesmo, e nisso é sabido o ser, mas esse saber da certeza é o ser e a verdade da metafísica moderna, cujo fundamento essencial está justamente em nunca ter posto a questão do ser; por isso, menos ainda a verdade do Seyn.
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Aparentemente Ser e Tempo move-se no questionar transcendental, e quando essa posição é abandonada surge a aparência de que o transcender do transcendental leva necessariamente a
Hegel e que o pensar seynsgeschichtlich é apenas uma variação da metafísica absoluta; mas tudo isso seria equívoco.
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Kant pensa do objeto para a objetidade e pensa esta a partir da seiendade do ente;
Hegel e
Schelling mantêm tudo isso, ainda que voltado para o incondicionado;
Hegel nunca pensa a partir do Seyn e de seu vigor para o ente, mas a partir do mais ente e em seu interior, donde ao espírito absoluto cabe sempre apenas a seiendade.
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A consumação da metafísica em
Hegel e
Nietzsche está mais próxima da passagem para a superação; daí a tentação de tomar a passagem como degeneração da consumação; recorrer a
Hegel para esclarecer o pensar seynsgeschichtlich equivale a querer obter fogo da água.
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Hegel nunca superou o transcendental, mas apenas o conduziu à sua repercussão metafísica, pois as condições de possibilidade tornam-se puramente compreensíveis apenas a partir do incondicionado; mas toda condicionidade difere abissalmente do Ereignis.
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A superação da metafísica não é negação nem suprassunção dialética; nela o que foi chega ao vigor e permanece todavia rememorado; Ser e Tempo é um caminho para o lugar a partir do qual se pôde ousar o salto para o pensar insistente, mas não é ainda esse salto, nem mesmo a preparação claramente sabida desse lugar.
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Ser e Tempo é um a-caminho que interroga o ser mas ainda não sabe o que um dia será exigido do pensar; o pensar originário do ser a partir da apropriação do Dasein não é tampouco uma inversão do pensar até então, pois inversões são apenas novos enredamentos.
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Em Ser e Tempo apoios foram ainda tomados emprestados da metafísica e quase se tentou algo como uma superação da metafísica pela metafísica; o outro procurado foi ainda buscado como metafísica no sentido mais amplo da multívoca questão do ser, embora pela direção do questionar toda a metafísica já estivesse saltada.
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A tentativa de ir além do existenciell para os existenciais e pensar apenas estes, isto é, o ser-relativo, sem operar um ente, é um esforço insuficiente de manter a questão do ser também em relação ao homem no âmbito da questão do sentido do ser, isto é, da verdade do ser.
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O outro começo não é mera inversão, mas inauguralidade, e por isso mesmo pertença ao primeiro começo; precisam existir novamente pensadores suficientemente simples para poder pensar o mesmo.