3. Diferença ontológica

III. A diferenciação entre ser e ente

1. Diferenciação como de-cisão

1. A diferenciação deve ser compreendida como de-cisão, isto é, não como simples separação posterior entre elementos previamente dados, mas como aquilo que retira ser e ente do horizonte nivelador de uma distinção representativa, pois o próprio seer (Seyn) é a de-cisão na qual se decide originariamente a relação com os entes.

2. O ser de-cide enquanto acontecimento-apropriador (Ereignis), no acontecimento-apropriador do ser humano e dos deuses para a necessidade da essência da humanidade e da divindade, fazendo surgir o combate entre mundo e terra como aquele confronto no qual somente se clareia o aberto e no qual os entes podem retornar a si mesmos e adquirir peso próprio.

2. A diferenciação entre ser e ente

2. A “diferenciação” entre ser e ente, quando determinada simplesmente mediante a diferença, permanece apenas como primeiro plano metafísico e como iluminação extrema do fundamento da metafísica ainda efetuada desde o interior dela própria, razão pela qual pode servir à opinião corrente como indicação aparentemente evidente e, ao mesmo tempo, profundamente enganadora.

3. A diferença (Unter-schied) deve ser pensada como um levar-para-lados-separados e como salto para o “não” proveniente do nadificar que o próprio seer (Seyn) é, em vez de ser compreendida como relação comparativa entre dois termos já constituídos.

4. A diferença compreendida metafisicamente tende a igualar precisamente aquilo que pretende distinguir, pois transforma o ser em “algo” ente e o submete ao mesmo plano representativo dos entes, tornando necessário perguntar pelo sentido da diferença (Unter-schied) quando ela já não pode significar essa equiparação niveladora.

5. O seer (Seyn), pensado como o “entre”, não deve ser transformado em uma terceira realidade situada entre dois polos previamente constituídos, pois está em questão uma singularidade única na qual pode aparecer tanto o erro próprio daquilo que simplesmente persiste como ente abandonado pelo ser quanto, em sentido inteiramente diverso, a consideração da recusa como combate entre mundo e terra.

6. Diferenciar permanece uma tarefa ainda aberta entre possibilidades distintas: pode significar levar para lados separados, constatar retrospectivamente uma passagem ou transição no “entre”, igualar aquilo que se diferencia ou, ainda, abster-se e desviar o olhar de maneira irrefletida.