3.1.F. Nexos contextuais

F. Nexos contextuais (Zusammenhänge)

O sentido fático da mobilidade torna-se mais apropriado interpretativamente ao se tomarem em mira as relações móveis (bewegungsmässige) da mobilidade pré-estructiva-reluzente, expressa a cada vez através de uma categoria do sentido relacional em face das outras, evidenciando-se, na mobilidade pré-estructiva do trancamento caracterizada por último, no elíptico, como esse vem ao encontro num modo cada vez diverso de propensão, sendo esse vir ao encontro — como incitamento, incentivo, manter em curso, justificação tranquilizadora, estímulo, vigilância da propensão — ele próprio um caráter da mobilidade que expressa os dois caracteres do sentido relacional, propensão e trancamento.

A propensão atingida e estimulada pelo trancamento é ela própria, novamente, reluzente sobre a extinção de distância, irrompendo e disponibilizando, a partir de seu mundo, significâncias como possibilidades de formabilidade (Ausbildbarkeit) de distanciamentos mundanos, propensibilidades nas quais a vida fática se firma e vive, fomentando o exagero e a priorização no dar-se importância e criando assim diferenças de distâncias.

O hiperbólico da extinção de distância, que persegue pré-estructivamente as possibilidades reluzentes de dispersão temporalizadas pelo trancamento com auxílio da propensão, é com isso ele próprio reluzente sobre o trancamento, dando oportunidade a desviar o olhar, mostrando essas relações próprias, na mobilidade do cuidar, o sentido de sua execução.

Execução deve ser tomada como conceito indicativo formal, ela própria difícil, por provir de uma propensão de apreensão e conceitualização inadequada aqui, sendo categoria confortável e genericamente formal que facilmente se transforma em algo que nada diz, ou então tranca a pesquisa obstruindo-a de atuação concreta, confortando-a com a ilusão de que já se conquistou algo, quando se pode deslocar tudo para a vertente principal da execução.

A experiência do fenômeno e determinadas tendências de explicação, fenomenologicamente motivadas, fornecem o significado às expressões terminologicamente fixadas, de modo que um sentido determinado salta da explicação para os significados usados na conversa nivelada da vida fática, não sendo o caso de que se planeje e invente algo a partir das palavras de que se lança mão, estabelecendo-o objetualmente como demonstrável e assegurado, ainda que se deva observar com rigor que em nenhum campo se espraiam com mais facilidade os perigos de uma mística verbal sem fundamento do que na explicação filosófica.

Em princípio, o sentido de mobilidade do cuidar encontrava-se no indeterminado, dizendo-se apenas que o cuidar é executado e que a vida fática é e está na execução do cuidar, nada tendo modificado nisso as categorias do sentido relacional da propensão, extinção de distância e trancamento, mesmo esclarecendo com elas uma multiplicidade de relações do cuidar e assim uma concreção da execução.

A articulação de pré-estrucção e reluzência trouxe, porém, para dentro da respectiva mobilidade da categoria do sentido relacional, vista isoladamente, um sentido de mobilidade, ficando claro o como do movimento vivo dentro de uma perspectiva, com o caráter do mover-se em si mesmo.

Precisamente nesse ponto, as determinações de mobilidade conquistadas com a pré-estrucção e a reluzência, de aparente caráter formal, tomaram uma estrutura vazia, insuficiente para determinar com sentido a vida fática em sua mobilidade, a faticidade.

A perseguição genuína de pré-estrucção e reluzência nos nexos contextuais de relação das mobilidades entre si mostrou, porém, que o sentido de mobilidade de ambas é determinado quanto ao sentido relacional, surgindo caracteres de mobilidade ainda não determinados expressamente quanto às categorias: vir ao encontro, incitamento, manter em curso tranquilizador, vigilância encorajadora, estimulação que empurra para frente; sugestão propulsora-deslocadora, sustentadora, asseguradora; o perseguir, aproveitar oportunidades, lançar-se à busca de oportunidades, espreitar; equivocar-se, criar possibilidades de equívoco — mobilidades dos caracteres categoriais do cuidar entre si, isto é, articulação da execução do cuidar.

A partir daí torna-se visível como o vazio formal do destaque (Abhebung) de pré-estrucção e reluzência se torna concreto quanto ao movimento nas determinidades relacionais vistas isoladamente, sendo os caracteres recém-mencionados determinantes em termos de mobilidade sobre a mobilidade reluzente-pré-estructiva dentro da mobilidade que mostra isoladamente uma categoria do sentido relacional.

No nexo conjuntural desses caracteres de mobilidade importa a determinação de que neles a vida fática vive estável (festlebt) e cuida estavelmente (festsorgt), não sendo o sentido de direção representável como um passar ordenado ao longo de uma série de objetos rumo a um último elemento onde a mobilidade viria a se chocar.

A mútua relação (Zueinander) de movimento das possibilidades reluzentes e pré-estructivas das três categorias do sentido relacional do cuidar é ela própria apenas expressão do sentido fundamental do fático da vida que ali se anuncia, sendo essa mútua relação fática a expressão de que a reluzência, enquanto como da mobilidade, é pré-estructurada por essa mesma mobilidade, e que essa mobilidade formula e temporaliza a pré-estrucção como reluzente em questão de movimento.

Na expressão “formação” (Bildung), “formação especializada” (Ausbildung), esse nexo conjuntural pode ser indicado pelo fato de se ter aprendido, de um lado, a temporalizar e realizar algo segundo uma imagem, um dado prévio, uma amostra prévia reluzente, e, de outro, a formular algo no ater-se a essa imagem durante a execução, deixando vir algo à configuração, não sendo o que importa primariamente o caráter da configuração a ser formulada, mas a temporalização como tal — struere.

O momento de sentido de formação indicado — temporalizar segundo uma imagem, isto é, um propósito — pode ser apreendido de forma mais rigorosa em conexão com fenômenos designados como “clarificação”, os quais não são postos isoladamente por si e por isso necessitam de instauração correspondente para sua interpretação genuína, indicando-se negativamente que conhecer, conhecimento e suas formulações — ciências, filosofia — não podem ser interpretados isoladamente, sem que isso signifique já se terem apreendido esses nexos contextuais pelo simples pregar que conhecimento tem significado prático ou brota de um nexo conjuntural prático.

O adentrar cuidadoso da atuação do cuidar na respectiva reluzência expressa que a própria reluzência está contida na cura, no sentido de estar aí presente e poder sempre de novo sugerir-se, podendo a vida segui-la, o que se anuncia no modo de cuidar pelo fato de a vida fática ter sua publicidade e abertura em seu mundo, seu “círculo”, pertencer a uma “direção” e coperfazer “movimento”, de tal modo que o mundo, relativamente ao cuidar, do ponto de vista do encontro fático, é um mundo circunstante.

O “circum” (Um) não é expressão de um nexo conjuntural objetivo de ordenação de objetos (Gegenstände) ao redor de outro que tenha o mesmo caráter objetual e de ser, sendo determinado em seu sentido, primariamente, a partir do caráter de mundo, e surgindo o ser do “circum” da estrutura categorial de mundo, sobretudo de seu nexo conjuntural fundamental com a faticidade, e não da edificação circunstante a partir de relações objetuais isoladas.

O “circum” é a determinação categorial de mundo no qual vive a vida cuidadosa, estando esta, tendo na cura reluzência, às voltas com ter algo à sua volta, ter o mundo de tal modo que este se constitua como um entorno que responde, ausculta, assiste ou discute em vista do agenciamento da vida, sendo o mundo tal que a reluzência se torna possível faticamente enquanto mundo circunstante, compreendendo-se a partir daí por que mundo compartilhado e mundo próprio também podem ser caracterizados como mundo circunstante.

No próprio cuidar, a reluzência é objeto do edificar precavido e do erigir-se, sendo atingida, do ponto de vista do movimento, pela pré-estrucção, mas todo edificar precavidamente só é, no sentido do cuidar, quando agrega em si as possibilidades reluzentes e se temporaliza no abrir-se aos encontros mundanos, procurando o cuidar deixar-se dar toda mobilidade pré-estructiva numa reluzência mundana.

No nexo de movimento de reluzência e pré-estrucção, a mobilidade da vida expressa-se na direção de que a vida fática, mesmo de modos diversos, cuida para viver estavelmente em seu mundo, estando cada um dos movimentos, em si e em relação aos outros, à busca de viver faticamente esse viver estavelmente que se abre no mundo do cuidar, ou, do ponto de vista histórico-objetivo, à busca de conservar, tendo a mobilidade da vida fática, nessa estrutura categorial, o caráter de uma autonomia específica, própria justamente por a vida viver a partir de si para fora.

A mobilidade é tal que, enquanto movimento, auxilia em si mesma a chegar a si mesma, constituindo essa mesma vida, de tal modo que a vida fática, vivendo no mundo, propriamente não constitui ela mesma o movimento, mas vive o mundo como o em-que (Worin), sobre-o-que (Vorauf) e para-que (Wofür) da vida.