3 Vida Fática

A vida fática

A interpretação que se abre conduz indiretamente ao cerne da situação em que se joga originalmente a decisão originária, situação que cada um deve entender por si mesmo para poder acompanhar a explicação subsequente da tarefa da filosofia, permanecendo por ora o problema do propriamente histórico, em vista do qual se propõe desde já a primeiríssima intuição, acompanhada dos instrumentos e momentos de sentido necessários para estabelecer sua objetividade.

Vida fática: o termo vida constitui categoria fenomenológica fundamental que visa um fenômeno fundamental, cuja irrupção já se manifestara, embora de modo confuso, na filosofia moderna da vida representada por Dilthey e Bergson, autores que efetivamente quiseram tornar-se filosofia sem se deixar arrastar por disputas universitárias aberrantes.

O termo vida padece hoje de notável indeterminação, designando ora uma vasta realidade efetiva e última — “a Vida” —, ora aparecendo em expressões ambíguas como vida política, vida arruinada ou vida perdida num naufrágio, deixando-se aqui de lado deliberadamente os conceitos biológicos de vida.

Para esboçar a estrutura de sentido do termo vida, parte-se do verbo viver, tomado primeiro em sentido intransitivo — estar vivo, saber viver, viver retirado — e depois em sentido transitivo — viver a própria vida, viver algo (etwas erleben) —, sentidos que se unificam na passagem ao substantivo o viver, conservando deliberadamente a ambiguidade entre ambos os usos.