Agostinho, Confissões (§§7-9)

PARTE PRINCIPAL

INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DO LIVRO X DAS CONFISSÕES

§ 7. Preparativos para a interpretação

A preparação da interpretação fenomenológica do livro X das Confissões exige partir da própria retomada crítica que Agostinho realiza de sua obra nas Retractationes e, simultaneamente, distinguir uma primeira visão registradora do conteúdo de uma explicação fenomenológica propriamente dita, pois a disposição objetiva dos capítulos oferece apenas um acesso provisório cuja função é conduzir à mudança decisiva da direção de apreensão, dos meios de apreensão e da realização da apreensão, permitindo que a aparente sequência biográfica e temática seja abandonada em favor da articulação dos nexos de sentido e de realização que constituem concretamente a experiência fática da vida.

a) A retractatio de Agostinho das Confissões

b) O agrupamento dos capítulos

§ 8. A introdução ao décimo livro — capítulos primeiro a sétimo

A abertura do livro X desloca progressivamente a confissão da narrativa exterior para a pergunta pelo modo de ser daquele que confessa, pois confessar diante do Deus onisciente, confessar diante dos outros e confessar aquilo que se sabe e não se sabe de si mesmo conduz da impossibilidade de informar Deus para uma realização existencial do confiteri, na qual o amor de Deus, a distinção entre exterior e interior, a interrogação do mundo e a ultrapassagem das forças vitais e sensíveis da anima transformam a questão “o que é Deus?” na questão acerca do modo como Deus pode ser encontrado na própria vida fática daquele que o procura.

a) O motivo do confiteri diante de Deus e diante dos homens

b) O saber acerca de si mesmo

c) A objetualidade de Deus

d) A essência da alma

§ 9. A memoria — capítulos oitavo a décimo nono

A investigação da memoria revela um âmbito cuja amplitude ultrapassa radicalmente a noção psicológica ordinária de memória, pois nela se dão imagens sensíveis, significações não sensíveis, objetos matemáticos, atos teóricos, afetos, ações passadas, expectativas futuras, o próprio si-mesmo, a experiência paradoxal do esquecimento e a possibilidade de procurar aquilo que aparentemente foi perdido, de modo que a pergunta pela memoria se converte numa pergunta pelo “ter”, pelo estar-presente e pelo modo de realização em que o existente se encontra consigo mesmo e pode procurar Deus, evidenciando que o sentido fático do ser não pode ser determinado pelo simples estar objetivamente presente.

a) O espanto diante da memoria

b) Objetos sensíveis

c) Objetos não sensíveis

d) O discere e os atos teóricos

e) Os afetos e seus modos de dadidade

f) Ipse mihi occurro — eu mesmo venho ao meu encontro

g) A aporia acerca da oblivio

h) O que significa procurar?