Agostinho, Confissões (§§15-17)

PARTE PRINCIPAL

INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DO LIVRO X DAS CONFISSÕES

§ 15. Terceira forma da tentatio: ambitio saeculi — capítulos trigésimo sexto a trigésimo oitavo

A ambitio saeculi radicaliza a tentação ao deslocar o finis delectationis para a Eigenbedeutsamkeit (significatividade própria) do si-mesmo na Mitwelt (mundo compartilhado), pois desejar ser temido, amado, elogiado e socialmente reconhecido faz com que a existência procure seu valor nos olhos, juízos e avaliações dos outros, transformando o curare em esforço de In-Geltung-Stehen (estar-em-validade) e convertendo dons recebidos em fundamento de autoimportância; a superação não requer simples retirada da Mitwelt, mas uma realização em que o louvor seja reconduzido ao donum Dei e o existente se entregue aos outros a partir de uma posição facticamente apropriada de si, preservando a continentia e a iustitia como direções positivas do amor.

a) Comparação das duas primeiras formas da tentação

b) Timeri velle e amari velle

c) Amor laudis

d) A direção autêntica do placere

§ 16. A autoimportância diante de si mesmo — capítulo trigésimo nono

A forma mais oculta da mesma tentatio surge quando o placere já não depende explicitamente da aprovação da Mitwelt, mas se recolhe à Selbstwelt (mundo próprio) e faz com que o existente se coloque em validade diante de si mesmo, podendo transformar um não-bem em bem, apropriar-se como próprio de um bem recebido de Deus, atribuir a si mérito por ter sido digno do dom ou, mesmo reconhecendo a pura gratuidade, desfrutá-la invejosamente contra os outros; em todas essas modalidades, a crescente correção da avaliação objetiva do bonum pode coexistir com uma queda existencial cada vez mais profunda, porque a própria preocupação consigo se converte em espetáculo para si e faz da graça ocasião de Selbstwichtignahme (autoimportância), revelando que justamente na mais radical preocupação consigo se abre a possibilidade do mais abissal perder-se de si.

§ 17. Molestia — a facticidade da vida

A molestia revela-se finalmente como modo constitutivo da própria Faktizität (facticidade), não como propriedade negativa anexada ao homem nem como obstáculo objetivo que uma ascese poderia remover, pois seu sentido nasce do Wie do Sichselbsthaben (ter-se-a-si-mesmo) e cresce tanto quanto a vida intensifica suas direções de experiência e chega a si própria; a existência somente pode tornar-se radicalmente própria assumindo a possibilidade de perder-se que ela mesma forma em sua realização, de maneira que Umwelt, Mitwelt, Selbstwelt, conhecimento, uso, prazer e cuidado cotidiano constituem simultaneamente vias de efetivação e possibilidades de tentatio, e a pergunta quaestio mihi factus sum conduz à determinação da vida como um modo histórico de ser cuja estrutura categorial deve ser interpretada a partir da realização, e não mediante categorias objetivantes previamente dadas.

a) O modo de ser da vida

b) Molestia — o perigo do ter-se-a-si-mesmo