Agostinho, Confissões (§§13-14)

PARTE PRINCIPAL

INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DO LIVRO X DAS CONFISSÕES

§ 13. Primeira forma da tentatio: concupiscentia carnis — capítulos trigésimo a trigésimo quarto

A concupiscentia carnis é interpretada não como classificação psicológica de impulsos sensíveis, mas como uma das direções concretas em que a vida fática pode defluir e perder-se, revelando-se nas relações com sexualidade, alimentação, odores, sons e formas visuais como modificação do curare na qual necessidades, prazeres, hábitos e significatividades mundanas adquirem autonomia, fazem da própria transição entre indigência e satisfação um fim e expõem o existente à incerteza de não saber antecipadamente quem é nem o que poderá tornar-se, de modo que a tentatio constitui uma experiência histórica do “eu sou” em que a possibilidade de queda cresce justamente no movimento pelo qual a vida procura apropriar-se de si.

a) As três direções da possibilidade de defluxus

b) O problema do “eu sou”

c) Voluptas

d) Illecebra odorum

e) Voluptas aurium

f) Voluptas oculorum

g) Operatores et sectatores pulchritudinum exteriorum

§ 14. Segunda forma da tentatio: concupiscentia oculorum — capítulo trigésimo quinto

A concupiscentia oculorum distingue-se da fruição sensível porque transforma os sentidos em instrumentos de um experiendi per carnem dominado pelo appetitus noscendi, isto é, por uma curiositas que não procura necessariamente desfrutar do conteúdo encontrado, mas quer torná-lo acessível enquanto objeto do puro conhecer, fazendo do videre o modelo de toda objetivação cognoscitiva e submetendo progressivamente a vida ao Bezugssinn (sentido de relação) autônomo da tomada de conhecimento, cuja ilimitada abertura a qualquer conteúdo — inclusive ao aterrador, ao mágico e ao religioso — encobre sua própria relevância existencial e converte o coração em receptáculo de vanitas.

a) Videre in carne e videre per carnem

b) O curioso olhar ao redor no mundo