PARTE PRINCIPAL
INTERPRETAÇÃO FENOMENOLÓGICA DO LIVRO X DAS CONFISSÕES
§ 10. Sobre a beata vita — capítulos vigésimo a vigésimo terceiro
A procura de Deus transforma-se na procura da beata vita porque Deus é vita vitae e a vida feliz somente pode ser procurada se já for possuída de algum modo, fazendo com que a investigação se concentre não prioritariamente no conteúdo objetivo da felicidade, mas no Wie des Habens (como do ter), no Bezugssinn (sentido de relação) e no Vollzugssinn (sentido de realização) pelos quais todos querem a felicidade, conhecem-na de algum modo e, contudo, podem desviar-se para alegrias que assumem indevidamente o lugar da verdadeira beata vita; por isso, a felicidade culmina como gaudium de veritate, alegria na verdade, cuja realização existencial pode degenerar quando o existente transforma em “verdade” aquilo a que já se entregou por tradição, comodidade, medo ou fuga de si mesmo.
a) O modo de ter a vita beata
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A pergunta quomodo quaero Deum — “como procuro Deus?” — converte-se em quomodo quaero vitam beatam — “como procuro a vida feliz?” — porque procurar Deus é procurar aquilo mediante o qual a alma vive.
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A equivalência beata vita = vera beata vita = veritas = Deus não surge simplesmente da análise anterior, mas orienta a investigação para o Wie (como) da procura e para a modalidade em que aquilo que se busca já precisa ser possuído.
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A busca pode ocorrer pela recordação de algo anteriormente possuído e ainda retido enquanto perdido, ou pelo appetitus discendi de algo nunca possuído e ainda desconhecido.
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A afirmação de que “todos querem” a beata vita indica que ela é possuída nescio quomodo, de algum modo, embora a modalidade desse ter varie.
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Uns são beati na posse plena, outros possuem a felicidade na esperança e outros não são felizes nem em realidade nem em esperança, mas todos continuam orientados para aquilo que entendem como felicidade.
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A universalidade do querer não basta para esclarecer fenomenologicamente a beata vita, pois precisa ser reconduzida ao modo concreto e histórico em que cada um a possui, ama e procura.
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A beata vita não é recordada como Cartago, porque não foi recebida por percepção sensível; tampouco é possuída como um número matemático, pois o número pode estar plenamente disponível sem que ainda se aspire a adquiri-lo.
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A felicidade é conhecida e amada, mas ainda é querida como algo a ser efetivamente alcançado: habemus in notitia e, justamente por isso, adipisci eam volumus.
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A questão pelo que ela “é” força a investigação a perguntar como ela é possuída; assim, o sentido de relação e o sentido de realização conquistam primazia sobre uma determinação puramente objetiva do conteúdo.
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O verdadeiro “ter” precisa ser apropriado de tal modo que se transforme num “ser”, isto é, a questão não se resolve possuindo uma representação de felicidade, mas apenas no modo de existir em que esse ter se realiza.
b) O gaudium de veritate
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A alegria oferece uma via privilegiada porque jamais foi recebida pelos sentidos como objeto exterior, mas foi experienciada no próprio animus quando se esteve alegre.
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A beata vita pode estar presente à maneira de uma alegria recordada, sem que aquele que a presentifica já esteja atualmente vivendo feliz, podendo inclusive ocorrer em situação de miseria.
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Todos procuram de maneiras concretamente diversas chegar a um mesmo fim: gaudere, alegrar-se; por isso, ipsum gaudium vitam beatam vocant — “chamam à própria alegria vida feliz”.
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Agostinho impede, contudo, que toda alegria seja imediatamente identificada à beata vita: a verdadeira vida feliz consiste em gaudere ad te, de te, propter te — alegrar-se voltado para Deus, em Deus e por causa de Deus.
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Quem procura outra alegria permanece orientado por alguma imagem do gaudium, mas cadunt in id quod valent, cai naquilo que está ao alcance de suas forças e se contenta com significatividades disponíveis do mundo e de si mesmo.
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Aquilo que não está imediatamente disponível somente chega a existir propriamente para o existente quando uma Bekümmerung (preocupação) suficientemente radical o abre como possibilidade.
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A beata vita é gaudium de veritate, e todos possuem alguma relação com a verdade porque, mesmo quando querem enganar outros, não querem eles próprios ser enganados.
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O não-querer-ser-enganado conserva a veritas na realização da própria rejeição do engano e manifesta uma delectatio veritatis ainda que não apropriada radicalmente.
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A universalidade da busca de verdade não deve ser convertida em proposição abstrata de validade geral, mas reconduzida à unidade histórico-existencial da experiência fática.
c) A veritas na direção da queda
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Apesar de alguma alegria na verdade, os homens não vivem necessariamente na verdadeira beata vita porque fortius occupantur in aliis, são mais fortemente ocupados por outras coisas e se dispersam nas significatividades em que sua atividade cotidiana se absorve.
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O lumen que permanece tenuemente presente no homem possui sentido de realização existencial e não deve ser convertido numa entidade metafísica luminosa.
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Aquilo que é amado por tradição, moda, comodidade, medo da inquietação ou medo de ficar subitamente no vazio pode tornar-se “verdade” para aquele que se abandona a esse modo de realização.
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O Vollzugsabfall (queda da realização) modifica o próprio sentido da verdade: não se foge apenas do vazio, mas principalmente do movimento de transformação que poderia arrancar o existente daquilo em que se acomodou.
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A procura de segurança pode manter o homem no erro justamente porque ele não deseja ser convencido de que está errado — nolunt convinci quod falsi sint.
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A fórmula amant eam lucentem, oderunt eam redarguentem — “amam-na quando ilumina, odeiam-na quando os repreende” — distingue uma fruição estética da verdade de sua força existencial de questionamento.
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A verdade é aceita quando oferece brilho e repouso, mas rejeitada quando alcança a própria facticidade e obriga o existente a colocar-se em questão.
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O desejo de que a verdade se manifeste não significa necessariamente disposição para que ela manifeste o próprio existente: deseja-se abertura das coisas e simultaneamente fecha-se contra a exposição de si.
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Mesmo nesse fechamento permanece um resíduo de amor à verdade, pois se prefere a verdade ao erro enquanto se procura proteger aquilo que já foi tomado como verdadeiro.
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A beata vita propriamente dita requer amor à veritas sola sem interpellans molestia, isto é, sem a obstinação cômoda e autoencobridora que recua diante da transformação existencial.
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O gaudium de veritate encontra-se, desse modo, numa tensão entre seu sentido existencial cristão e a infiltração de determinações provenientes da filosofia grega.
§ 11. O modo de perguntar e de ouvir — capítulos vigésimo quarto a vigésimo sétimo
A procura de Deus não encontra um objeto situado simplesmente fora ou dentro da memoria, pois Deus é encontrado onde se encontra a própria veritas e simultaneamente supra me, acima de quem procura, fazendo com que o problema do lugar se transforme no problema existencial do modo de perguntar, ouvir, recordar, alegrar-se e amar; Deus responde ubique, mas nem todos o ouvem liquide, porque o verdadeiro acesso depende da apropriação do Wie da escuta e da disposição para receber justamente aquilo que não corresponde às expectativas previamente fixadas, de modo que o encontro com Deus reconduz finalmente a questão à facticidade do próprio existente.
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Nada foi encontrado extra memoriam no sentido de algo absolutamente exterior à memória, pois procurar e reconhecer já se realizam no âmbito em que aquilo que se procura pode ser de algum modo retido.
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A beata vita tampouco é um objeto exterior depositado na memoria como uma coisa, e Deus, por sua vez, não se reduz a uma ocorrência psíquica.
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Ubi enim inveni veritatem, ibi inveni Deum meum ipsam veritatem — “onde encontrei a verdade, aí encontrei meu Deus, a própria verdade” — vincula a procura de Deus à modalidade em que a verdade é experienciada.
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Deus é encontrado no reminisci tui e no delectari in te, no lembrar-se de Deus e alegrar-se nele, formas de acesso que não permitem reduzir sua presença a uma região psíquica.
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Deus não se encontra entre imagens corporais, afetos, estados da alma nem no simples fato de a alma recordar-se de si; não é uma affectio viventis nem o próprio animus.
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As mudanças dos estados e experiências contrastam com a permanência incommutabilis de Deus, mas essa diferença não autoriza uma interpretação puramente espacial ou regional.
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A pergunta “onde Deus habita?” perde o sentido espacial: inveni te in te supra me, Deus é encontrado nele próprio, acima daquele que o procura.
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A veritas está ubique no sentido de que, em qualquer experiência e para qualquer experienciante, pode ocorrer a interpelação que responde às perguntas.
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A diferença decisiva não está em Deus responder a alguns e calar-se a outros, mas no modo de ouvir: liquide tu respondes, sed non liquide omnes audiunt — Deus responde claramente, mas nem todos ouvem claramente.
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Audire significa compreender no modo de realização, e não simplesmente receber um conteúdo verbal.
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A curiosidade religiosa, a especulação cômoda e a transformação de Deus em objeto de Wesenseinsichten (intuições de essência) impedem o verdadeiro ouvir quando apenas procuram uma confirmação daquilo que previamente “convém” ao interrogante.
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Ouvir propriamente requer Offenhalten (manter-se aberto) para aquilo que talvez contradiga o que se queria ouvir e para aquilo de que precisamente se deveria cuidar.
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A pergunta “onde encontro Deus?” transforma-se, assim, na discussão das condições da experiência de Deus e converge novamente para a pergunta “o que sou eu?”.
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O confiteri sero te amavi — “tarde te amei” — exprime que o amor não é dado simplesmente como estado, mas corresponde a um determinado nível da experiência fática no qual o existente se tornou capaz de amar.
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Crer, esperar e amar constituem Vollzugszusammenhänge (nexos de realização): crer como confiar e fixar-se, esperar como manter-se aberto e amar como entrega que toma algo como propriamente valioso.
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A frase tetigisti me, et exarsi in pacem tuam — “tocaste-me, e ardi por tua paz” — concentra a passagem de uma vida deformis, perdida nas formas belas do mundo, para uma transformação em que o próprio existente é atingido.
§ 12. O curare (estar preocupado) como caráter fundamental da vida fática — capítulos vigésimo oitavo e vigésimo nono
O curare (preocupação) constitui um caráter fundamental da experiência fática porque a vida se encontra dispersa em múltiplas significatividades, arrastada por delectatio, desiderium e timor e simultaneamente convocada à continentia como movimento de recolhimento, de modo que a existência não possui lugar intermediário livre da tentatio, mas vive numa Zwiespältigkeit (duplicidade conflitiva) em que prospera e adversa, desejo e medo, alegria e tristeza se implicam historicamente e fazem da própria realização da experiência uma região permanente de insegurança, possibilidade de queda e exigência de resistência.
a) A dispersão da vida
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A confissão de que a vida é deformis conduz à sentença oneri mihi sum — “sou um peso para mim mesmo”, não como autocomiseração, mas como distanciamento impiedoso mediante o qual o existente procura recuperar-se.
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A esperança somente pode dirigir-se à magna valde misericordia Dei porque emerge de uma existência que se reconhece incapaz de assegurar-se por si mesma.
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O iubere divino ordena continentia, compreendida não negativamente como mera abstinência, mas positivamente como Zusammenhalten (manter reunido) e movimento contrário ao defluxus.
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In multa defluximus — “escoamos para o múltiplo” — caracteriza a dispersão da vida nas significatividades que a absorvem.
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Per continentiam colligimur et redigimur in unum exprime o movimento de recolhimento que retira a vida da dispersão e a reconduz ao unum.
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Quem realiza continentia concentra-se naquilo que lhe falta e não naquilo que já possui; a ausência e a incompletude permanecem, portanto, constitutivas da experiência.
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Toda a vida humana sobre a terra é tentatio sem intervalo, e a interpretação precisa compreender a tentação como caráter estrutural da vida fática, não como ocorrência moral ocasional.
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Tolerare significa assumir molestias et difficultates sem transformá-las em objeto de fruição ou prazer autocomplacente; pode-se amar o próprio resistir sem amar aquilo que precisa ser suportado.
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O tolerare não é ato isolado, mas Vollzugszusammenhang (nexo de realização) fundado numa direção básica da experiência fática em que tentatio, molestia e difficultas recebem seu sentido.
b) A duplicidade conflitiva da vida
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In multa defluere significa ser atraído e arrastado pelas múltiplas significatividades do mundo segundo a delectatio, enquanto o unum indica aquilo em direção ao qual a vida poderia recolher-se.
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O curare realiza-se concretamente como timere e desiderare: recuar com temor diante daquilo que ameaça e desejar trazer para perto aquilo que favorece.
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As significatividades aparecem como prospera ou adversa não porque possuam propriedades objetivas fixas, mas porque são experienciadas dentro de horizontes de preocupação e expectativa.
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Diante do adversum, deseja-se aquilo que seria prosperum; diante do prosperum, teme-se sua perda ou a chegada do adversum, de maneira que desejo e temor já se acompanham internamente.
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A experiência é histórica porque cada situação traz consigo horizontes de expectativa, possibilidades anteriores e antecipações que participam da significação presente.
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A designação “Zwiespältigkeit” permanece provisoriamente objetiva e não pretende ainda exprimir o sentido radical do fenômeno.
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As experiências preocupadas não são simplesmente ocorrências num fluxo psíquico, pois seu “ser” consiste no modo como são tidas e realizadas.
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Desejo, temor, tristeza e alegria são novamente experienciados segundo avaliações e preocupações: aquilo que se deseja pode ser lamentável ou bom, aquilo que entristece pode ser algo a celebrar ou um mal.
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Não existe medius locus em que as contrampossibilidades desapareçam; a própria realização permanece insegura, e
Agostinho pode dizer ex qua parte stet victoria nescio — “não sei de que lado ficará a vitória”.
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Quaestio mihi factus sum, vita ego quaestio e oneri mihi sum convergem para a experiência em que a própria vida se torna questão, peso e risco.
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A interpretação desses capítulos somente se mantém na direção adequada se permanecer relacionada à procura de Deus e não os reduzir a reflexões moralistas ou análises psicológicas isoladas.
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A diferença entre interpretação fenomenológica e teológica não pode ser resolvida como simples delimitação de disciplinas científicas, pois possui caráter histórico e depende da própria situação de realização da compreensão.