1.2

PRIMEIRA PARTE

Introdução metodológica

Filosofia, experiência fática da vida e fenomenologia da religião

PRIMEIRO CAPÍTULO

Formação filosófica de conceitos e experiência fática da vida

SEGUNDO CAPÍTULO

Tendências contemporâneas da filosofia da religião

§ 5. A filosofia da religião de Troeltsch

A filosofia da religião de Ernst Troeltsch procura alcançar uma determinação cientificamente válida da essência da religião mediante a articulação de psicologia, teoria do conhecimento, filosofia da história e metafísica, combinando sucessivamente influências de Kant, Schleiermacher, Lotze, Dilthey, Windelband, Rickert, Bergson, Simmel e Hegel sem abandonar sua posição religiosa fundamental, de modo que a religião é progressivamente descrita em suas manifestações psíquicas, submetida à determinação de um a priori religioso, interpretada em seu desenvolvimento histórico e finalmente integrada numa metafísica de Deus, estrutura que manifesta a orientação dominante de tratar o religioso como objeto inserível em campos científicos e filosóficos previamente constituídos.

a) Psicologia

b) Teoria do conhecimento

c) Filosofia da história

d) Metafísica

§ 6. Considerações críticas

A posição de Troeltsch torna-se criticamente decisiva não por qualquer insuficiência particular de suas descrições psicológicas, epistemológicas, históricas ou metafísicas, mas porque sua filosofia da religião determina desde o início a religião como objeto inserível em Sachzusammenhänge (contextos objetivos) previamente estabelecidos pela filosofia científica, de modo que os quatro conceitos de essência da religião não emergem do sentido do religioso enquanto religioso, mas das disciplinas às quais ele é subordinado; por isso, a possibilidade de Troeltsch conservar sua posição filosófico-religiosa através de sucessivas mudanças de sistema revela precisamente a objetivação prévia da religião, recolocando o problema fundamental da relação entre filosofia e ciência e exigindo perguntar se uma fenomenologia da religião pode efetivamente partir da facticidade religiosa sem transformá-la desde o início em objeto de uma Betrachtung (consideração) científica.