§3

Zur Bestimmung der Philosophie. 1. Die Idee der Philosophie und das Weltanschauungsproblem (post war semester 1919); 2. Phänomenologie und transzendentale Wertphilosophie (SS 1919); 3. Anhang: Über das Wesen der Universität und akademischen Studiums (SS 1919) [1987]

§ 3. O recurso à história da filosofia

O recurso à história da filosofia impõe-se por si mesmo, na medida em que tudo o que é espiritual possui gênese e história, de modo que as ciências particulares progridem de começos imperfeitos até a autêntica posição de seu problema, e a própria prática filosófica contemporânea se orienta essencialmente de modo histórico, seja através de Kant, seja através de Aristóteles, sem que isso implique condenar toda a história da filosofia como erro do espírito, pois esta terá alcançado, ao longo de seu percurso, autênticos elementos da ideia de filosofia como ciência originária.

Considerada de modo geral, a filosofia manteve ao longo de sua história um relação constante com a ideia de ciência, tendo sido inicialmente quase idêntica à ciência enquanto πρώτη φιλοσοφία, depois subordinada como instrumento da vida prática na cultura helenística, posteriormente dominada pela vida religiosa medieval e unificada com esta na mística, até separar-se novamente em Descartes e Lutero, atingir a constituição da ciência matemática da natureza com Galileu, e retomar sua exacerbação crítica com Kant e, no século XIX, com o neokantismo de Marburgo e a escola dos valores.

A consciência clara do problema da filosofia como ciência remonta, contudo, já à época clássica de Platão, cuja tentativa de constituir a filosofia como ciência autêntica se concebe em ruptura radical com os antigos filósofos do ser, acusados de narrar mitos como se falassem a crianças, ruptura motivada pela contestação socrático-platônica do ceticismo e relativismo sofísticos que reduziam o saber a mera opinião variável.

A tentativa de identificar os traços principais da filosofia numa época significativa como a platônica esbarra, no entanto, em problemas dificultosos e principiais, pois falta critério científico para justificar por que Platão, e não a sofistica por ele combatida, representaria a filosofia autêntica, de modo que a compreensão de uma filosofia histórica já pressupõe a ideia da filosofia como ciência originária.

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