§8

PARTE II

A quarta indicação oferecida pela tradução de aletheia. O espaço aberto e livre da clareira do ser. A divindade “Verdade”

§ 8. O significado mais pleno do des-cobrimento. A transição para a subjetividade. A quarta indicação: o aberto, o livre. O acontecimento da aletheia no Ocidente. A ausência de fundamento do aberto. A alienação do homem

a) Preparação para a quarta indicação: a insuficiência de “desencobrimento” como tradução usada até agora. A ambiguidade da palavra “des-cobrimento” e seu significado mais pleno. A luta na aletheia primordial. Proximidade e começo. Referência a Homero. Os dois sentidos do aparecimento: pura emergência e caráter de encontro. A essência do eu. Referência a Kant, Descartes, Herder, Nietzsche. A prioridade do si-mesmo desde Platão e Aristóteles

O sentido mais pleno da aletheia exige ultrapassar a compreensão insuficiente do desencobrimento como simples remoção de um encobrimento, pois o des-cobrimento preserva e resguarda o desencoberto no próprio aberto em que pode aparecer, revelando uma unidade conflitante entre descobrir e encobrir e conduzindo à quarta indicação decisiva, segundo a qual a essência primordial da verdade repousa no aberto e no livre do ser; essa experiência, inicialmente determinada pela emergência dos entes na physis, começa com Platão e Aristóteles a deslocar-se para o aparecer dirigido à percepção e ao si-mesmo humano, preparando historicamente a subjetividade moderna sem que a experiência grega possa ser simplesmente identificada com ela.

b) A quarta indicação: o aberto como a essência primordial do desencobrimento. Referência a Ser e tempo e a Sófocles, Aias V, 646 e seguintes. O tempo como deixar aparecer e encobrir. Referência a Hölderlin. O tempo como “fator” na modernidade. A presencialização da abertura no desencobrimento. A “identificação” de abertura e liberdade. A aletheia como o aberto da iluminação

c) Luz e ver. O esclarecimento “natural” da verdade do iluminar a partir dos “homens visuais” gregos em contraposição à visão desvelante. O perceber vidente. Aletheia: o acontecimento na paisagem da tarde que encobre a manhã. Thean-horan e teoria

d) O aberto no começo da meditação com a palavra aletheia. O pensar essencial: o salto para o ser. Entes descobertos no abrigo do sem-chão da abertura livre do ser. O encobrimento da decisão de concessão para o homem do desencobrimento no aberto que se resguarda. A habilitação, através da concessão do ser, de ver o aberto: um começo histórico. A alienação do homem diante do aberto

e) O aberto na forma da progressão irrestrita dos entes. O aberto: o livre da iluminação. O “aberto” da “criatura” na oitava Elegia de Duíno de Rilke. Referência a Schopenhauer e Nietzsche. A exclusão do animal da luta entre desencobrimento e encobrimento. A excitação do vivo