§4

§ 4. A multiplicidade das oposições ao descobrimento em seu caráter essencial

a) A rica essência do ocultamento. Modos de ocultamento: apathe, methodos, keutho, krypto, kalypto. Homero, Ilíada XX, 118; Odisseia VI, 303; III, 16; Ilíada XXIII, 244. O poder desvelante do mythos e a questão das divindades gregas

A essência da verdade como desencobrimento (aletheia) exige que sua oposição não seja reduzida à falsidade, à dissimulação ou à desfiguração, pois o ocultamento possui uma multiplicidade essencial de modos que compreendem tanto o engano e o desvio quanto o resguardo, a preservação, o mistério, o secreto, o clandestino e o ainda não conhecido, de maneira que o próprio desencobrimento somente pode ser pensado originariamente quando permanece referido à riqueza histórica dos modos de encobrir e à experiência grega do ser, na qual morte, nascimento, terra, noite, dia, palavra, mythos e deuses pertencem ao acontecimento conjunto do descobrir e do ocultar.

b) A conexão entre mythos e as divindades gregas. Terra, dia, noite e morte em relação ao desencobrimento. O misterioso como um dos modos do encobrimento. A exclusão da negatividade na falsidade e no desvio como essência única contrária à verdade

Recapitulação

Esclarecimento suplementar: o “caminho” do pensador que chega no “poema doutrinário”. A conexão entre a essência da deusa e os caminhos para sua casa e a partir dela. Caminho lateral e descaminho. A questão da outra essência contrária do descobrimento. A essência do descobrimento e retraimento expressa em palavra e mythos. A perda da palavra como preservação da relação do ser com o homem. A transformação romana de zoon logon echon em animal rationale. Referência a Kant, Nietzsche e Spengler. Mythos, epos, logos