1.1

INTERPRETAÇÃO PRÉVIA DA ESSÊNCIA DA FILOSOFIA

§ 1. A filosofia futura e a retenção como tonalidade afetiva fundamental da ligação com o seer

A filosofia futura determina-se somente no próprio questionamento das questões fundamentais, e não pela pressuposição de um domínio filosófico previamente constituído, de modo que filosofar exige investir a totalidade do ente na questão e deixar ressoar a retenção como tonalidade afetiva fundamental (Grundstimmung) da ligação com o seer (Seyn), na qual a sobriedade rigorosa do pensamento preserva conjuntamente o terror diante do fato de que o ente é e o pudor diante da essencialização velada do seer no ente.

§ 2. A filosofia como saber imediatamente inútil, apesar de soberano, sobre a essência do ente

A filosofia constitui um saber imediatamente inútil e, precisamente por isso, soberano acerca da essência do ente, distinguindo-se tanto da visão de mundo quanto da ciência porque não se legitima por aplicação prática, produção de resultados ou utilidade imediata, mas pela abertura antecipadora de novos âmbitos de questão, novos critérios e novas possibilidades históricas de decisão para o ser-aí humano.

§ 3. O questionamento acerca da verdade do seer como saber soberano

A soberania da filosofia culmina no questionamento acerca da verdade do seer (Seyn), no qual a própria busca se torna simultaneamente meta e descoberta, porque filosofar significa permanecer constantemente na proximidade daquilo que se vela, projetando a existência para além de toda curiosidade e fazendo da perseverança na questão do fundamento do ente a medida da grandeza humana.