-
A frase-guia da interpretação é de
Schelling: “Quem quer honrar um filósofo, deve compreendê-lo onde ele ainda não avançou para as consequências, em seu pensamento fundamental… [no pensamento] do qual ele parte.”
-
O título completo é “Investigações filosóficas sobre a essência da liberdade humana e os objetos com ela relacionados”, indicando que não se trata de um tratado sobre o “problema do livre-arbítrio”.
-
A liberdade não é uma propriedade do homem; o homem é, antes, propriedade da liberdade. A liberdade é a essência abrangente e determinante, na qual o homem, ao ser recolocado, torna-se homem.
-
A essência do homem fundamenta-se na liberdade, e a própria liberdade é uma determinação do Ser (Seyn) propriamente dito, que transcende todo Ser humano.
-
A investigação, ao tratar da liberdade humana, trata de uma espécie determinada de liberdade como essência do Ser propriamente dito, perguntando pela essência do homem e, para além dele, pelo Ser como fundamento do ente em sua totalidade.
-
A questão pela liberdade conduz à questão pelo Ser (Seyn) em geral, o que é indicado pelo acréscimo “e os objetos com ela relacionados”, tornando desnecessária qualquer outra justificativa externa para a escolha do tratado.
-
A filosofia só se fundamenta a partir de si mesma, e sua necessidade não pode ser provada nem refutada, sendo seu exercício um ato da mais alta liberdade.
-
A compreensão do tratado exige que se vá além dele, captando o que ele traz para além de si mesmo, o que equivale a filosofar de fato, transformando a situação de nosso existir (Dasein) na necessidade real da questão pelo Ser.