§§1-3

CONSIDERAÇÃO PRELIMINAR

A tarefa da preleção e sua atitude fundamental a partir de um esclarecimento geral de seu título

PRIMEIRO CAPÍTULO

Os desvios para a determinação da essência da filosofia (metafísica) e a inevitabilidade de encarar a metafísica

§1. A incomparabilidade da filosofia

A filosofia e a metafísica não podem ser determinadas segundo modelos exteriores — como ciência, proclamação de visão de mundo, arte, religião ou objeto de informação histórica — porque toda comparação desse gênero pressupõe uma compreensão ainda não conquistada de sua essência, fazendo com que os caminhos aparentemente esclarecedores se revelem desvios que somente circundam a filosofia e reforçam a necessidade de compreendê-la exclusivamente a partir dela mesma como algo autônomo, último e incomparável.

a) A filosofia não é ciência nem proclamação de visão de mundo

b) A determinação essencial da filosofia não pode ser obtida pelo desvio da comparação com a arte e a religião

c) A saída pela orientação histórica como ilusão na determinação essencial da filosofia

§2. A determinação da filosofia a partir dela mesma, segundo o fio condutor de uma palavra de Novalis

A metafísica somente pode ser determinada a partir de sua realização como filosofar, mas esse acontecer se retrai para a obscuridade da essência humana e revela-se, segundo a palavra de Novalis, como nostalgia (Heimweh), impulso de estar em casa por toda parte e, portanto, como uma disposição afetiva fundamental que impele a existência às perguntas interligadas pelo mundo, pela finitude e pela singularização, exigindo conceitos nascidos de um ser-afetado existencial e não de uma técnica científica de representação.

a) O retrair-se da metafísica — do filosofar — como atividade humana na obscuridade da essência do ser humano

b) A nostalgia como disposição afetiva fundamental do filosofar e as perguntas pelo mundo, pela finitude e pela singularização

§3. O pensamento metafísico como pensamento abrangente (inbegriffliches Denken): dirigido ao todo e atravessando a existência

O pensamento metafísico distingue-se de todo conhecimento regional porque interroga o ente em sua totalidade de tal maneira que o próprio interrogador é incluído e posto em questão, razão pela qual seus conceitos fundamentais não são representações universais de propriedades comuns, mas conceitos abrangentes (Inbegriffe) que apreendem simultaneamente o todo e atravessam a existência daquele que filosofa.