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Grundbegriffe der aristotelischen Philosophie (Summer semester 1924), ed. M. Michalski, 2002, XIV, 418p.

Retorno ao Solo da Definição

1. Ao se retornar àquilo que a definição originalmente foi, pode-se também aprender o que originalmente era aquilo que hoje se designa por conceito.

a) Os Predicáveis

2. Gênero e espécie são características que determinam toda definição, não sendo, contudo, os únicos fatores determinantes, incluindo-se ainda o momento do próprio e da diferença específica enquanto tal, sendo esses aspectos, que guiam a formação de conceitos, chamados de predicáveis ou categoremata.

3. Há cinco predicáveis, sendo o primeiro o gênero, genus est unum, quod de pluribus specie differentibus in eo quod quid est praedicatur, de modo que “linha curva fechada”, gênero do círculo, é predicado de muitas coisas que se distinguem em espécie, como a elipse, capturando contudo o predicado aquilo que o círculo em si mesmo é.

4. O segundo predicável é a espécie, species est unum, quod de pluribus solo numero differentibus in eo quod quid est praedicatur, sendo o círculo individual aquilo que difere solo numero.

5. O terceiro predicável é a diferença específica ou diaphora, unum, quod de pluribus praedicatur in quale essentiale, “com respeito àquilo que pertence ao que as coisas são”, como a racionalidade do ser humano.

6. O quarto predicável é o próprio, proprium est unum, quod de pluribus praedicatur in quale necessarium, determinação “necessária” que pertence à coisa, mas que também se situa fora do contexto essencial de gênero e espécie.

7. O quinto predicável é o acidente, accidens est unum, quod de pluribus praedicatur in quale contingens, na medida em que aquilo que é abordado é “fortuito”, symbebekos.

8. Esses praedicabilia também são chamados universalia, consistindo a distinção precisa no fato de que universale significa unum quod est in pluribus, ao passo que praedicabile significa unum quod de pluribus praedicatur, daí a questão de saber se o geral existe efetivamente nas coisas ou se é apenas a generalidade do pensamento apreensor (realismo—nominalismo), questão que também tem sua origem em contextos concretos e determinados da filosofia grega, ou melhor, em mal-entendidos escolásticos a respeito dela.

b) A determinação aristotélica de horismos como logos ousias

9. Investiga-se agora a conceitualidade (Begrifflichkeit) e seu caráter nativo retornando da definitio, enquanto instrumento técnico, ao horismos, “delimitação”, sendo o horismos um logos, um “falar” sobre algo, um abordar a coisa “nela mesma naquilo que ela é”, kath'hauto, um legein kath'hauto: a coisa “em si mesma”, e somente ela, é e deve ser abordada, determinando-se assim o horismos como ousias tis gnorismos.

10. Logos é “falar”, não no sentido de emitir um som, mas falar sobre algo de um modo que exiba o sobre-o-que do falar mostrando aquilo sobre o que se fala, sendo a função genuína do logos o apophainesthai, o “trazer uma coisa à vista”.

11. Esse logos é a determinação fundamental do ser do ser humano enquanto tal, sendo o ser humano visto pelos gregos como zoon logon echon, não apenas filosoficamente mas no viver concreto, um “ser vivo que (enquanto vivo) tem linguagem”, definição essa que não deve ser pensada em termos biológicos, psicológicos, sociológicos ou semelhantes, situando-se essa determinação antes de tais distinções.

12. O ser-no-mundo do ser humano se determina em seu fundamento através do falar, sendo o modo fundamental de ser no qual o ser humano está em seu mundo o falar com ele, sobre ele, a respeito dele, determinando-se assim o ser humano precisamente através do logos, podendo-se ver desse modo onde, sendo a definição um logos, a coisa da definição tem seu fundamento, na medida em que o logos é a determinação básica do ser do ser humano.

13. O logos enquanto horismos aborda os entes em sua ousia, em seu ser-aí (Dasein), impondo-se por isso alcançar uma compreensão da ousia.