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Grundbegriffe der aristotelischen Philosophie (Summer semester 1924), ed. M. Michalski, 2002, XIV, 418p.

O Ser-Aí do Ser Humano como energeia: O agathon (Ética a Nicômaco A 1–4)

1. O ser do Dasein do ser humano interessa porque a conceitualidade (Begrifflichkeit) remete de volta ao Dasein do ser humano, sendo a conceitualidade uma ocupação de uma possibilidade de ser determinada do Dasein do ser humano, devendo-se, na medida em que se quer apreender a conceitualidade grega, tornar o Dasein inteligível e acessível em sua interpretação grega, aristotélica.

2. Investiga-se, desse modo, o ser do agathon grego, tomando-se, com esse propósito, passagens particulares do próprio Aristóteles, especificamente o Livro I da Ética a Nicômaco, perguntando-se quatro questões.

3. Primeira questão: onde o agathon é explicitamente visível enquanto agathon, em qual modo de estar-relacionado com o mundo ele está aí explicitamente, perguntando-se pelo campo em que o vemos original e concretamente.

4. Segunda questão: onde está o agathon da praxis, o agathon da ocupação enquanto determinação do ser humano, o agathon daquele modo de ser que se determina como zoon politikon, onde aparece o anthropinon agathon.

5. Terceira questão: pergunta-se pelas determinações básicas do agathon enquanto tal.

6. Quarta questão: pergunta-se pelo modo de ser e pela possibilidade de ser do ser humano que é suficiente para que a estrutura do agathon se exponha.

7. Para bem preparar essa consideração, é importante relembrar as determinações do ser do ser humano até aqui adquiridas: primeiro, zoe: o ser do ser humano é ser-em-um-mundo; segundo, esse ser-em-um-mundo é caracterizado pelo logos; terceiro, esse falar é ele mesmo o modo de cumprimento de uma ocupação, de um modo ocupado de se envolver no mundo, sendo o ser-em-um-mundo equiprimordialmente ocupação; quarto, essa ocupação tem sempre um fim assegurado de antemão, em direção ao qual ela calcula aquilo que é conducente, possuindo aquilo a que se dirige numa antecipação determinada, sendo a ocupação caracterizada como olhar-ao-redor, surgindo daí, na cotidianidade, a possibilidade do “mero olhar-para-fora-em-direção-a…”, do theorein; quinto, esse ser é, explicitamente falando, em si mesmo ser-uns-com-os-outros, ser-na-polis.

8. Deve-se agora manter firme essa estrutura básica, familiarizando-se com ela não decorando-a, mas de tal modo que essas coisas apareçam no próprio Dasein concreto, tornando-se claras nele.

a) A Explicitude do agathon

alfa. A Explicitude do agathon enquanto tal na techne

9. Onde se encontra o agathon explicitamente? A primeira frase da Ética a Nicômaco lança luz sobre isso: parece que toda techne (saber-se-orientar em algo, num modo determinado de ocupação; o sapateiro compreende como se faz um sapato, sabe se orientar nele), todo saber-se-orientar numa ocupação, todo methodos, todo perseguir-uma-coisa, estar-a-caminho-atrás-de-uma-coisa (mais uma vez, um modo de estar-orientado, de saber-se-orientar) — do mesmo modo, a ocupação e o ocupar-se com algo que deve ser resolvido, que deve ser trazido a um fim através da ocupação — todos esses modos de saber-se-orientar e de ocupação com algo parecem estar atrás de algum bem.

beta. A Explicitude do anthropinon agathon na politike

10. Mostrou-se agora que, se se busca o agathon do ser do ser humano enquanto zoon politikon, deve-se tomar aquele saber-se-orientar que é próprio ao ser do ser humano assim determinado, o saber-se-orientar que torna explícito o ser do ser humano como ser-uns-com-os-outros em seu telos — mais precisamente, o saber-se-orientar que torna explícito esse ser-uns-com-os-outros como esse modo concreto de ser em sua polis.

b) As Determinações Básicas do agathon

11. Pergunta-se agora pelas determinações do agathon enquanto tal, sabendo-se que agathon é telos, perguntando-se presumivelmente pelo caráter de ser-um-fim, de finitude (Endlichkeit), a teleiotes, na medida em que o agathon é teleion, na medida em que constitui o ser-completado, sendo a questão última: qual modo de ser do ser humano é suficiente para o teleion akrotaton?

12. Com a investigação do agathon como propósito, e a fim de obter uma percepção mais precisa da estrutura de ser, resultaram quatro estágios da discussão do agathon: primeiro, onde algo como o agathon é geralmente visível; segundo, onde exatamente se detecta um correspondente anthropinon agathon; terceiro, quais são as determinações gerais do agathon; quarto, o que é suficiente para o agathon assim caracterizado, o que constitui o Dasein do ser humano em sua completude.

13. Quanto ao contexto em que o agathon se torna visível, deve-se retornar à primeira frase da Ética a Nicômaco, onde se mostra que agathon se relaciona com techne, praxis, proairesis e gnosis.

alfa. Multiplicidade e Conexão Diretriz dos telê e Necessidade de um telos di'hauto

14. Em relação a esse Dasein do ser humano posto nesse campo de visão desde o início, há várias coisas a esclarecer do modo descrito — a saber, que é dada uma multiplicidade de ocupações, residindo no ser-uns-com-os-outros uma multiplicidade de ocupação, não um mero agregado, mas antes uma multifariedade que possui uma conexão determinada pelo caráter do ser-uns-com-os-outros, havendo, além disso, com essa multiplicidade de ocupações, também uma multiplicidade de telê nos quais a ocupação alcança seu fim.

15. Quanto aos telê, Aristóteles faz algumas distinções fundamentais, dizendo logo no início da Ética a Nicômaco que parece haver certa diferença entre os telê: alguns são energeiai (energeia num sentido inteiramente distintivo, talvez o caráter fundamental do ser, um como de ser num sentido inteiramente distintivo, significando o “estar-em-obra” mesmo; se a expressão “efetividade” (Wirklichkeit) não estivesse tão desgastada, seria uma excelente tradução, sendo energeia um como de ser, um tal modo de ser que tem o caráter de ser da praxis, isto é, o como da ocupação), sendo os outros telê par'autas, ao lado das ocupações, especificamente erga, obras.

16. Havendo muitas praxeis, muitas artes e muitas ciências, muitos são também os telê, sendo para a arte médica a saúde, para a construção naval o navio, para a estratégia a vitória, para a administração doméstica a riqueza ou os meios.

17. Aristóteles diz, quanto a esse ponto, que deve haver, nessa multiplicidade de ocupações, um telos que seja di'hauto, sendo impossível que, no interior do círculo de todas as ocupações possíveis relacionadas umas às outras, se “tome uma por causa de outra”.

18. O que se deve reter dessa consideração geral do anthropinon agathon é isto: é aquilo que está aí como o telos di'hauto na consideração do Dasein do ser humano, aquilo que periechoi an ta ton allon [telê], devendo o telos que se torna tema na politike ser de tal modo que “abarque os outros, os encerre em si mesmo”.

beta. Os bioi como telê di'hauta. Os Critérios para o telos di'hauto: oikeion, dysaphaireton, teleion e autarkes

19. Com essa consideração aparentemente formal-universal, vê-se que Aristóteles mantém constantemente em vista o Dasein concreto, determinado como ser-uns-com-os-outros, orientando-se a consideração ulterior, a exposição da determinação básica do agathon, e igualmente daquilo que basta para esse agathon, para a própria experiência concreta.

20. Aristóteles expõe três desses bioi: primeiro, bios apolaustikos, “a vida de prazer, de fruição”; segundo, bios politikos, o modo de experienciar a vida que surge na ocupação no interior do Dasein concreto; terceiro, bios theoretikos, o modo de Dasein caracterizado pela contemplação.

21. A partir desses bioi, Aristóteles inicialmente expõe vários telê, e mostra que são objeto de ocupação di'hauto, perguntando ao mesmo tempo a questão crítica de se são suficientes para o sentido do di'hauto enquanto telos do ser-uns-com-os-outros, devendo se tornar visível o criterion para determinar se esses telê são suficientes, devendo o telos ser: primeiro, oikeion; segundo, dysaphaireton, de tal modo que esse telos esteja “em casa” no próprio Dasein, não trazido de fora no sentido de que lhe sobrevenha “inevitavelmente”; terceiro, sendo insuficiente a determinação do dysaphaireton, devendo o telos ser teleion, “o que constitui a completude em sentido genuíno”, podendo a hedone também ser buscada por causa do próprio Dasein enquanto tal e não por sua própria causa, devendo por isso o teleion ser determinado; quarto, devendo o telos ser autarkes, “autossuficiente”, vendo-se, na interpretação do autarkes, que o telos é tal que determina um Dasein enquanto ser-uns-com-os-outros, devendo o telos ser autossuficiente para determinar o ser-uns-com-os-outros.

22. Quer-se considerar mais de perto essas quatro determinações, sendo o telos anteriormente determinado como di'hauto aquilo que geralmente se designa como eudaimonia, traduzido geralmente por “felicidade”, começando a consideração dos bioi na Ética a Nicômaco, Livro I, Capítulo 3: parece que aquilo que se entende por agathon, por eudaimonia, aquilo que constitui a genuinidade do Dasein do ser humano, foi tomado ouk alogos a partir dos bioi (não de tal modo que nada seja com isso exibido, mas antes precisamente de tal modo que algo venha à aparência).

23. Aquilo que a vida expressou concretamente sobre si mesma é algo que carrega em si suas razões, dizendo Aristóteles, ao final do Capítulo 2 do Livro I da Ética a Nicômaco, que, se isso parecer suficientemente claro, não haverá necessidade ulterior do dioti, “por essa razão, porque, já que”.

24. Quanto à hedone, a consideração é mantida breve, já que é claro sem mais que tal agathon desvia o Dasein de si mesmo e o volta para o mundo, não chegando, na hedone, o Dasein a si mesmo, sendo a vida vivida pelo mundo em que se move, plenamente dependente do mundo, não vivendo seu próprio ser.

25. Quanto à time, o segundo candidato já tem mais a seu favor, na medida em que parece que na time há uma possibilidade distintiva de ser-uns-com-os-outros, de encontrar-se-entre-outros, na medida em que eu, particularmente quando tenho uma reputação perante os outros, ocupo uma posição distintiva no mundo.

26. A arete parece ser tal agathon, o modo e a maneira de Dasein de que falamos quando dizemos que alguém é um sujeito competente, “competência”, o modo de ter à disposição, a cada momento, a possibilidade de seu próprio ser.

27. No Capítulo 4, Aristóteles chega à conclusão de que não pode haver um bem em si mesmo, sendo agathon em si mesmo sempre peras de uma praxis, e sendo essa praxis, contudo, aqui e agora, dirigindo-se ao que está aqui e agora.

28. Contra isso, e a fim de determinar mais precisamente o agathon kath'hauto, Aristóteles abre um novo caminho, a saber, levando a cabo uma investigação do caráter de ser do agathon, sendo o agathon peras ou telos, “fim” no sentido de constituir uma completude.