GA17:13-19 – LOGOS COMO VOZ COM SENTIDO

** a) A fala (λόγος) como voz que significa algo (φωνή σημαντική); onoma e rhema **

1. A conexão entre o conceito de phainomenon e aquilo que Aristóteles explicita como logos reside no fato de que to phainomenon é o ente que, em toda investigação possível, deve ser apropriado de modo a fornecer a base da indagação, não constituindo a expressão phainomenon uma categoria conceitual, mas um modo de ser, a maneira pela qual algo é encontrado, e encontrado, aliás, do primeiro e, como tal, do único modo legitimamente primeiro.

2. Peri hermeneias não é um texto, mas um manuscrito pertencente ao último período de Aristóteles, nascido de uma reflexão momentânea que não atendia a considerações pedagógicas, sendo as observações feitas puramente no interesse de estabelecer distinções e de modo algum em vista de uma exposição.

3. Phone, conforme De anima II, capítulo 8, é um tipo de som produzido por algo animado, um ruído feito por algo vivo, sendo necessário, para o ser da voz, algo como um pneuma (sopro).

4. O logos tem partes, e destas apenas algumas permanecem significativas somente hos phasis, sendo o modo de significar das partes o mero dizer.

5. Um nome é também algo audível que, como tal, é inteligível, apresentando Aristóteles a determinação segundo a qual o nome é um som significativo por convenção, sem tempo, do qual nenhuma parte é significativa separadamente.

6. O significado de uma palavra não está já presente com base no modo como a garganta e a língua possibilitam a fala, sendo estas physei, o que não ocorre com a palavra, que existe kata syntheken, isto é, por convenção, de sorte que cada palavra teve primeiro de vir a ser como tal e possui a sua gênese.

7. Logos já é empregado na linguagem corrente para designar uma característica fundamental, tendo-se, em toda interpretação de logos, uma pré-concepção específica acerca de seu sentido, sabendo-se de modo bastante indeterminado o que é a fala, a linguagem, sem que se disponha, porém, de informação segura sobre o que a linguagem significava para os gregos em sua existência natural, sobre como eles viam a linguagem.

8. Em De interpretatione, ao final do capítulo 3, encontra-se a determinação segundo a qual os próprios verbos, ditos por si mesmos, são nomes e significam algo, pois quem fala faz deter seu pensamento e quem ouve se aquieta, do que se segue que quem diz algo faz parar o processo de opinar.

9. Rhema é uma palavra que, em primeiro lugar, significa também o tempo em seu significado (prossemainei khronon), significando aquilo que significa de modo temporal, um “ser em algum tempo”, como em “morrerá”, e, em segundo lugar, significa-o em vista de outro ser, como em “vai à igreja”, sendo o ser remático o ser significado no rhema.