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Uma pequena cabana de esqui a 1150 metros de altitude na Floresta Negra meridional, com apenas três cômodos, é circundada por fazendas nos vales e encostas, por pinheiros escuros e por um céu de verão — essa é a paisagem de trabalho descrita não com olhos contemplativos de turista, mas como realidade vivida hora a hora, em todas as estações do ano.
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A paisagem não se impõe ao Dasein em momentos deliberados de fruição estética, mas apenas quando o próprio Dasein está imerso em seu trabalho: é o trabalho que abre o espaço para essa realidade da montanha, e o ritmo do trabalho permanece enraizado no acontecer da paisagem.
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Em plena tempestade de inverno, quando a neve encobre tudo ao redor da cabana, chega o tempo alto da filosofia: o questionamento torna-se simples e essencial, cada pensamento precisa ser trabalhado com dureza e precisão, e o esforço de cunhar a linguagem assemelha-se à resistência dos pinheiros contra a ventania.
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O trabalho filosófico não é ocupação excêntrica de um solitário, mas pertence ao mesmo mundo do trabalho dos camponeses — o carregador de lenha, o pastor, o agricultor —, e é dessa identidade de natureza que brota a pertença imediata à vida camponesa, vivida em silêncio compartilhado, não em conversa condescendente.
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O enraizamento na Floresta Negra e em seus habitantes provém de uma arraigada tradição germânica-suábia de séculos, insubstituível; ao contrário do citadino que se sente apenas estimulado por uma estadia no campo, todo o trabalho ali é sustentado e conduzido pelo mundo das montanhas e dos camponeses.
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Ao retornar à cabana após interrupções, o mundo inteiro das questões anteriores se impõe nas primeiras horas, exatamente na forma em que foi deixado: o trabalho tem uma vibração própria e uma lei oculta à qual não se pode resistir, e a solidão ali não isola, mas lança o Dasein inteiro para a proximidade ampla da essência de todas as coisas.
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A fama obtida rapidamente por jornais e revistas é o caminho mais seguro para a distorção e o esquecimento do que se quer genuinamente; em contrapartida, a memória camponesa guarda uma fidelidade simples, segura e inabalável, como demonstra o gesto de uma velha agricultora de 83 anos que, na noite de sua morte, enviou uma última saudação ao filósofo que habitava a colina.
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O mundo urbano corre o risco de cair em um erro pernicioso: a intromissão ruidosa e afetada na vida camponesa faz exatamente o contrário do que seria necessário, que é manter distância e deixar esse Dasein seguir sua própria lei, pois o camponês não precisa de condescendência urbana, mas do tato discreto diante de sua essência e autonomia.
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Diante de uma segunda convocação para a Universidade de Berlim, a resposta vem não de um argumento, mas de um gesto: ao consultar as montanhas, os bosques e os campos, e ao encontrar o velho amigo camponês de 75 anos, recebe-se em silêncio uma leve negação de cabeça — um não inexorável que encerra a questão.