A instituição platônica da filosofia consiste na determinação do ser do ente como ideia, na qual o parecer determina o que ainda pode ser chamado de não-celamento, e a própria ideia se torna o fundamento da verdade, mas mantendo em si algo da essência inicial, porém desconhecida, da alétheia.
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A crítica heideggeriana incide sobre o eclipse, pelo parecer, do desvelamento do não-celado, mas não interroga suficientemente a “voyance” da “voyance” (o Bem) como lugar de abertura ao parecer e, portanto, à verdade, nem o vínculo entre o parecer e o “ser-o-que” do ente.
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Apesar disso, Heidegger toca o núcleo da instituição platônica, pois a “voyance” da “voyance”, como lugar de abertura ao parecer, oculta a questão da verdade na mesma medida em que ainda é “voyance” e subordina todo o ser à “voyance” suprema.
A interrogação heideggeriana busca dissociar a questão do ser da questão da “voyance”, mostrando-a como mais originária, mas tal dissociação pode acarretar consequências que ultrapassam o pretendido.
A aporia do platonismo: primeira abordagem
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Na interpretação heideggeriana, o pensamento platônico vai “além” do que é experimentado na caverna, em direção às ideias, que são o suprassensível, sendo a ideia do Bem a causa suprema e primeira, denominada por
Platão e
Aristóteles como “o divino” (to theion).
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A partir da explicação do ser como ideia, a metafísica torna-se teológica, explicando a “causa” do ente como Deus e transferindo o ser para essa causa, que contém o ser em si e o liberta de si, exigindo uma marca distintiva do olhar sobre as ideias.