Eternidade e Historicidade

JAN PATOČKA. ÉTERNITÉ ET HISTORICITÉ

Emanuel Rádl diante da concepção do homem ao longo da história

I. O humanismo, tema principal do pensamento tcheco. Suas duas grandes orientações nos dias atuais. Expressão dessa dicotomia: a polêmica em torno de A consolação da filosofia, de Emanuel Rádl.

II. A consolação da filosofia como expressão da tendência metafísica no interior do humanismo tcheco. Rádl critica a filosofia moderna e preconiza um retorno a Sócrates.

III. A interpretação de Sócrates por Rádl é exata? O Sócrates de Rádl é platônico. Enunciado da hipótese própria sobre um Sócrates socrático. Sócrates como fundador do humanismo, descobridor da questão moral sem resposta concreta, sustentada não pelo reino eterno das Ideias, mas pelo ser histórico do homem.

IV. Observações sobre a questão da relação entre essência e existência no homem. A historicidade da essência humana e suas consequências para a fundação da moral.

V. Nascimento da metafísica clássica europeia em Platão. Trata-se de uma metafísica antropológica que, à questão socrática sobre a finalidade da vida, responde “o Bem em geral”, dando assim origem à teoria das Ideias, que, diversamente modificada, serve de base a Aristóteles e à escolástica. Humanismo cristão.

VI. Nascimento do humanismo moderno. Seus motivos e suas tendências: o naturalismo às voltas com o platonismo. O subjetivismo dos Tempos Modernos lança progressivamente as bases de uma compreensão da historicidade de nossa vida. O historicismo. Os perigos do subjetivismo e sua crítica humanista.

VII. Masaryk como crítico do subjetivismo “exagerado”. O programa de Masaryk em O suicídio: rumo a uma finalidade “católica” — pertencente à metafísica clássica — por meios “protestantes” — pertencentes à ciência empírica. Componente clássico do humanismo masarykiano. O problema, que permaneceu sem solução, é retomado por Rádl.

VIII. A consolação da filosofia, de Rádl, leva a termo uma progressão fundada na essência do humanismo moderno: se este não for nem naturalismo, nem subjetivismo, nem historicismo, será necessariamente platonismo. Crítica da crítica do subjetivismo em Rádl: o subjetivismo não é necessariamente naturalismo, como já mostra a presença de Sócrates nos começos de toda concepção “subjetiva” do homem. A noção de natureza encontrada em Rádl não está isolada no contexto atual: Raymond Ruyer.

IX. Outras tentativas recentes de renovação do platonismo: Max Scheler e sua teoria de uma ética material dos valores. Dificuldades dessa concepção sobretudo na questão da destinação pessoal e do sentido da vida. Scheler não pode aqui manter seu objetivismo.

X. Recurso ao sujeito: a teoria husserliana da intencionalidade, da redução, do sujeito puro.

XI. Crítica dos existencialistas: o sujeito puro é novamente a substância pensante de Descartes. É preciso colocar a questão do modo de ser subjetivo. Orientação em Kierkegaard: o homem como aquilo que não é presente-dado. Pascal, Voltaire e Hume. Tentativa heideggeriana de uma nova ontologia, partindo da analítica da realidade humana. Caráter negativo da existência em Heidegger.

XII. Aprofundamento do negativismo heideggeriano em Sartre.

XIII. Concepção positiva da existência em Jaspers. Trata-se de uma concepção transcendente, metafísica: a negatividade da existência só é superada na metafísica, na “leitura das cifras”, e isso ao preço de um agnosticismo. Questão: não seria possível superar a negatividade antes de dar o salto para uma metafísica transcendente?

XIV. Crítica das metafísicas subjetivas até então e tentativa de simplificação. A redução fenomenológica compreende de antemão o ser como compreendido; ela afeta-o, de certo modo, com um “sinal de menos” que acompanha a transcendência. Esquema da transcendência como negatividade diante da objetidade. Potencialidade, consciência do tempo, egoidade. Fenomenologia e dialética, afecção negativa. Vivências negativas e mandato do objeto. Luta pelo ser e suas modalidades. Sentido positivo do negativo em nossa experiência. A ética é possível sobre esse fundamento: a escolha de si não é um arbítrio, e, se essa moral vive a partir do elemento do não saber, nem por isso é desprovida de imperativos ou de linha de conduta. O problema moral e a questão da axiologia fazem parte da questão ontológica; na metafísica clássica, a ontologia estava subordinada à axiologia; aqui ocorre o inverso. Isso impede tanto o ceticismo quanto aos valores quanto a absolutização do relativo. Consequência nas questões idealismo-realismo: superação da oposição. O objeto absoluto não tem sentido. A realidade positiva não é dada; ela só deve ser encontrada na criação, na organização. O Cosmos está inacabado, sem fechamento. Os três domínios do saber e das ciências. A metafísica, ao mesmo tempo ato de compreensão e ato de fé.

XV. Relação da moral esboçada com o marxismo. O negativo e o positivo no marxismo. Seu objetivismo ao fim e ao cabo.

XVI. Retorno à relação de Rádl com o existencialismo. Apesar de certa afinidade, ele não é existencialista em A consolação da filosofia, mas se aproxima mais do platonismo, acentuando o elemento intemporal contra o subjetivo e o histórico. Aversão de Rádl por Kierkegaard. Kierkegaard não é nominalista, como frequentemente se diz. Sentido de sua “superação da ética”. Relação da doutrina aqui apresentada com a religião; a positividade no mundo não é completa: culpabilidade, finitude. A finitude é definitiva? Não haveria no mundo indícios de um sentido global?