A resposta de Lehmann indica que a Analítica existencial oferece a possibilidade formal do kairos, desenvolvendo uma estrutura onde ele pode encontrar seu lugar e, eventualmente, receber um conteúdo cristão, uma perspectiva que se adapta à intenção heideggeriana de liberar uma estrutura ontológica primordial.
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A Analítica existencial permite dar conta da possibilidade formal do kairos, ou seja, desenvolve a condição de possibilidade para que uma experiência como essa ocorra.
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O pensamento deve deixar livre o que ocorre “naquilo” do existente já preparado, o que significa elevar o conteúdo à sua condição de possibilidade, uma perspectiva que se coaduna com a ordem de leitura indicada por Heidegger.
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O impacto do kairos, no entanto, vai além da mera liberação de uma estrutura ontológica para um posterior preenchimento ôntico, pois ele marca toda a concepção heideggeriana do tempo e do próprio ser, exigindo que se acrescente que Heidegger utiliza o kairos para repensar a essência do tempo como uma determinação plenária do conteúdo.
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A influência do kairos não se limita a uma condição de possibilidade formal, mas afeta a própria concepção heideggeriana do tempo e do ser.
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Heidegger não apenas entende a estrutura do Dasein para que o kairos lá encontre sua possibilidade, mas também utiliza o kairos para repensar a essência do tempo, que é uma determinação plenária do conteúdo e não uma simples forma.