As duas formulações heideggerianas do Erörterung diferem porque o salto do pensável ao impensável encontra uma marca depositada na língua, enquanto o salto do dito ao não-dito conduz aquém dessa marca, adquirindo nova liberdade, e, sobretudo, porque o primeiro atinge o impensável que pertence ao pensável, ao passo que o segundo atinge uma reserva inesgotável sem ligação direta com um dito fixado.
-
O salto do pensável ao impensável percorre um rego já cavado na língua, uma marca depositada, enquanto o salto do dito ao não-dito conduz aquém dessa mesma marca, ganhando uma nova liberdade.
-
A passagem do pensável ao impensável atinge algo que é chamado pelo próprio pensável e que a ele pertence, enquanto a passagem do dito ao não-dito atinge uma reserva inesgotável que não está em ligação direta com um dito fixado, não podendo ser vista como aquilo que lhe falta.