O amor, ao prometer de modo indecifrável, desqualifica toda realização e atua como força destruidora que revela a inanidade das coisas, expondo o vazio e a nada tanto no objeto amado quanto na vida daquele que ama, arrastando o ser desde o não-ser para uma realidade que se mostra e se oculta.
-
A promessa do amor torna insuficiente qualquer conquista.
-
Revela o vazio inerente às coisas.
-
Descobre o não-ser e a nada.
-
A criação por amor remete ao surgimento a partir da nada.
-
O amado é elevado a uma realidade aspirada e ainda não realizada.
-
O amor realiza um movimento contínuo entre zonas antagônicas da realidade, penetrando nela para descobrir simultaneamente o ser e o não-ser, aspirando sempre além de qualquer projeto e dissolvendo toda consistência estabelecida.
-
Transita entre polos contraditórios.
-
Descobre os infernos da realidade.
-
Desfaz as estruturas consolidadas.
-
Ao destruir as falsas consistências, o amor dá origem à consciência, elevando o ímpeto vital à alma e, ao revelar a inanidade do que é fixado, expande a consciência por meio do desengano.
-
Conduz a avidez vital ao plano da alma.
-
Revela os limites da alma.
-
A consciência cresce após o desengano amoroso.
-
O chamado engano do amor não constitui erro contingente, mas necessidade de sua essência, pois ao revelar uma realidade que transcende o amante, instaura transcendência e mantém como verdade aquilo que foi amado, ainda que não plenamente realizado.
-
O engano permite ultrapassar limites.
-
O amado conserva sua verdade.
-
A verdade espera no futuro.
-
Ao revelar o lado negativo da vida e realizar o contraditório, o amor transforma o sentido da morte e encontra-se com a esperança no ponto em que esta carece de argumentos.
-
A morte torna-se vivente.
-
A esperança depende da preparação operada pelo amor.
-
O amor serve à esperança.
-
O amor, ao integrar a pessoa e conduzi-la à entrega, exige sacrifício e antecipa a morte como aprendizado, fundamento inclusive da maturidade para a morte em determinadas tradições filosóficas.
-
A pessoa é unificada pelo amor.
-
O sacrifício antecipa a morte.
-
A disposição para morrer nasce de um amor específico.
-
Nenhuma transformação íntima ocorre por ideias isoladas, mas apenas quando elas correspondem ao anseio profundo do ser humano, caso contrário tornam-se letra morta ou obsessão.
-
O amor, apresentado na modernidade como amor-paixão, manifesta-se em episódios que integram uma história mais ampla e oculta, atuando como fogo purificador e forma de conhecimento direto frequentemente encoberto sob expressões objetivas.
-
A paixão é estação necessária.
-
O amor atua como instrumento de consunção.
-
Produz conhecimento inexprimível.
-
Manifesta-se sob formas aparentemente frias.
-
A ação mais profunda do amor revela-se no refinamento do ser e no deslocamento do centro de gravidade da pessoa, conduzindo-a a viver fora de si e a orientar-se para um futuro inimaginável que inspira criação e unifica vida e morte.
-
O centro de gravidade desloca-se para o amado.
-
Surge a experiência de viver fora de si.
-
O amor inspira criação e futuro não previsto.
-
Vida e morte tornam-se momentos de um renascer contínuo.
-
O amor remete ao mais oculto da divindade.