Iris
Marion Young, em “Throwing like a girl”, descreve modalidades de comportar-se corporalmente sob patriarcado:
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Mulheres são frequentemente definidas como corpos-objeto e internalizam componentes de auto-objetificação.
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Normas de socialização instalam timidez e hesitação, deslocando o “eu posso” para um “eu não posso” ou “eu não deveria”.
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Essas modalidades não decorrem de essência feminina, mas de estilos culturalmente formados.
A extensão contemporânea dessas análises abrange outras formas de opressão e influencia campos como estudos críticos da deficiência, estudos trans e queer, e estudos pós-coloniais.
Essa produção é mais bem compreendida como continuidade e ampliação de linhas já abertas a partir do fim dos anos 1940 e início dos anos 1950, e não como ruptura absoluta.
O problema do método na fenomenologia crítica
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Discute-se se um uso crítico da fenomenologia exige repensar ou abandonar ferramentas e métodos clássicos.
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A contextualização sociocultural levanta questões metodológicas estruturais:
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Análises do corpo racializado e generificado substituem ou suplementam análises genéricas de corporeidade?
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Ainda é possível uma análise eidética da corporeidade, isto é, uma investigação de estruturas invariantes da existência corporificada?
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Ou só existem corpos particulares, de modo que o máximo seria descrever “um corpo de mulher, um corpo latino, um corpo materno, um corpo envelhecente, um corpo judeu”, e assim por diante?
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Proibir qualquer referência a estruturas universais ameaça a própria possibilidade de uma análise filosófica da corporeidade.
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Distinções formais como corpo vivido e corpo objetificado, ou consciência corporal pré-reflexiva e reflexiva, podem permanecer válidas como estruturas básicas, ainda que precisem de especificação contextual.
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É uma coisa afirmar que a análise genérica é incompleta; é outra, muito mais forte, declará-la inútil ou perigosamente enganosa.
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Young sustenta explicitamente a via suplementar:
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A descrição merleau-pontyana da relação corpo-mundo vale em nível básico geral.
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Em nível específico, há estilos típicos de comportar-se que modulam essas estruturas gerais.
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Redução fenomenológica, transcendentalidade e crítica social