A ocorrência natural, não menos que a produção humana, é poiesis, e a compreensão aristotélica do elemento criador e poético em physis e technē aparece ligada à constrição de necessidade, pois na natureza há um poiein que deixa o ente particular, começando de si, avançar ao telos “por hipótese, necessariamente”, e há também um poiein que opera sobre outro ente particular conduzindo-o à sua essência.
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Poiesis como caracterização de ocorrência natural e produção humana.
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physis e technē como campos do poético ligado à necessidade.
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poiein “a partir de si” como auto-início do ente rumo ao telos.
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Necessidade “por hipótese” como forma do avançar ao telos.
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poiein que atua sobre outro ente conduzindo-o à essência.
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A teleologia aristotélica e o tipo de necessidade nela fundado determinaram o pensamento ocidental até hoje, e mesmo após a vitória galileano-cartesiana da causa efficiens sobre a causa final e a redução ao absurdo da ordem teleológica, a estrutura de telos permaneceu viva no pensamento escatológico, formalmente decisiva para a escatologia cristã e também para a escatologia marxista do materialismo histórico.
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Teleologia como matriz de longa duração no Ocidente.
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causa finalis como causa teleológica suplantada.
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Persistência formal de telos em escatologias.
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Escatologia cristã como continuidade formal.
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Escatologia marxista do materialismo histórico como continuidade formal paralela.
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A “necessidade filosófica” contemporânea manifesta-se em filósofos que retornam conscientemente à teleologia aristotélica e ao tipo de necessidade nela apoiado por impulso antirrelativista e antihistoricista e por desejo de uma nova “ordem de essências”, embora permaneça em questão a possibilidade de retorno simples após o descrédito completo do modelo cósmico dessa ousiologia.
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Retorno contemporâneo como resposta a um diagnóstico de necessidade filosófica.
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Impulso antirrelativista e antihistoricista como motivação.
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“Ordem de essências” como objetivo do retorno.
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Modelo cósmico desacreditado como obstáculo ao retorno direto.
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Ousiologia aristotélica como horizonte problemático de reapropriação.
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Em contraste, Heidegger busca outro caminho ao procurar “outro sentido de ser e essência”, esforçando-se por superar interpretações de essência e substância fundadas em ousia aristotélica, de modo que esse outro sentido não pode sustentar os traços básicos que caracterizavam ousia e impõe a questão de saber se o ser é determinado por “necessidade” e por qual tipo de necessidade.
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Outro sentido de ser e essência como orientação distinta.
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Superação de interpretações assentadas em ousia.
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Impossibilidade de manter os traços básicos de ousia nesse novo sentido.
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Necessidade como problema reaberto e qualificação do seu tipo como questão.
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A estrutura referencial de telos, a partir da qual se determinou o sentido de necessidade, remete a um terceiro traço básico de ousia, a mesmidade consigo mesma.
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Telos como fonte do sentido de necessidade já estabelecido.
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Estrutura referencial como caminho para o próximo traço.
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Mesmidade consigo mesma como terceiro traço básico anunciado.