A possibilidade de executar a epoche repousa na convicção herdada da filosofia da razão segundo a qual o ser humano pode, por decisão voluntária, suspender o assentimento às crenças cotidianas e realizar uma transformação total de atitude, superando a dubitatio cartesiana mediante uma radicalização crítica que amplia a atenção ao ego, ao cogito, ao cogitatum e à intencionalidade constitutiva.
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Suspensão do assentimento às crenças naturais.
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Referência à cohibere assensionem e ao dubitare de
Descartes.
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Superação de preconceitos cartesianos.
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Direcionamento ao ego, cogito e cogitatum.
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Unidade da intencionalidade operante doadora de sentido.
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O caráter da fenomenologia como filosofia da razão e do espírito manifesta-se tanto no distanciamento da vida situada quanto no motivo ético que a anima, derivado da ideia de ciência fundada absolutamente e de crítica radical do conhecimento, exigindo responsabilidade universal pela verdade e compromisso do sujeito individual como funcionário da humanidade.
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Filosofia como ciência rigorosa e universal.
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Crítica do conhecimento até a última justificação.
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Exigência de prestar contas de todas as teses.
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Vida filosófica como responsabilidade absoluta.
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Responsabilidade pela verdade plena.
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Sujeito como funcionário da humanidade.
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O motivo transcendental que move o fenomenólogo testemunha a origem ética do filosofar de
Husserl, no qual a razão cognitiva é função da razão prática e o intelecto serve à vontade, sem que a razão prática seja fundamentada em princípio externo ao método fenomenológico.
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Interesse não natural transcendental.
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Vinculação à tradição da razão prática.
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Intelecto como servidor da vontade.
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Recusa de fundamentar a razão prática em princípio heterogêneo.
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A fenomenologia constitui, portanto, consumação da filosofia racional do espírito tanto no plano teórico quanto no prático, razão pela qual se vê compelida a libertar-se radicalmente do mundo-da-vida dominado por situações e fins por meio da epoche e da redução transcendental.
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Universalidade teórica da filosofia transcendental.
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Motivo ético prático determinante.
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Mundo-da-vida como esfera dominada por interesses.
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Epoche e redução como libertação radical.