Não se trata, nem para um nem para o outro, de renunciar à responsabilidade, mas de ativar a forma particular de responsabilidade do pensamento que consiste em “corresponder” ao niilismo no mais alto grau de sua problematicidade, sem invocar “reações” ao niilismo, mas acelerando-o: em Jünger, por meio da descrição da consumação, do desvanecimento e da redução, cujo efeito é contribuir para produzir o que descreve; em Heidegger, por meio de uma radicalização que, em vez de querer ultrapassar o niilismo, busca recolher-se em sua essência, retornando ao fundamento de seu acontecer, ao ser e seu evento, e dando curso ao niilismo em todas as suas possibilidades até seu cumprimento essencial.
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Não se trata, nem para um nem para o outro, de renunciar à responsabilidade, mas de ativar a forma particular de responsabilidade do pensamento que consiste em “corresponder” ao niilismo no mais alto grau de sua problematicidade.
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Nem Jünger nem Heidegger indulte à conservação ou à invocação de “reações” ao niilismo; não serve pôr à porta o hóspede que já há muito anda pela casa.
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A única escolha possível é a de uma aceleração do niilismo; em Jünger, tal aceleração se produz por meio da descrição da consunção, do desvanecimento e da redução; em Heidegger, há correspondência e radicalização, na crítica dos valores e no reconhecer que, em vez de querer ultrapassar o niilismo, é preciso recolher-se em sua essência, retornando ao fundamento de seu acontecer, ao ser e seu evento, e dando curso ao niilismo em todas as suas possibilidades até seu cumprimento essencial.
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Esta aceleração não é, como pode ter parecido a alguns, uma apologia do niilismo: tanto Heidegger quanto Jünger, em vez de procurar culpados, experimentam sobre si a enorme potência do nada, solicitando-a, convencidos de que só com seu cumprimento é dado também seu esgotamento e, com ele, a possibilidade de sua superação, tratando-se, para ambos, de deixar brotar as fontes de energia ainda intactas para se reger “no vórtice do niilismo”.
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Esta aceleração não é, como pode ter parecido a alguns, uma apologia do niilismo.
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Tanto Heidegger quanto Jünger, em vez de procurar culpados, experimentam sobre si a enorme potência do nada, solicitando-a, convencidos de que só com seu cumprimento é dado também seu esgotamento e, com ele, a possibilidade de sua superação.
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Trata-se, para ambos, de deixar brotar as fontes de energia ainda intactas e de fazer recurso a todo auxílio, para reger-se “no vórtice do niilismo”.
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Sobre como individuar essas fontes de energia, o itinerário dos dois diverge: Jünger tenta a indicação de um ponto de resistência no próprio peito, onde cada um, como um eremita da Tebaide, conduz sua luta; Heidegger, mais vigilante, não vê pontos arquimedianos, pois só um deus pode ainda salvar, e se um ponto de apoio for possível, não está no peito, mas no pensamento.
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Sobre como individuar essas fontes de energia, o itinerário dos dois diverge e não se recompõe nos contatos sucessivos.
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Jünger tenta a indicação de um ponto de resistência: o próprio peito, onde, como na Tebaide, está o centro de todo deserto e ruína, a caverna para onde os demônios impelem, e onde cada um, de qualquer condição e rango, conduz sozinho e em primeira pessoa sua luta.
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Heidegger é mais vigilante: não há pontos arquimedianos, porque “só um deus nos pode salvar”; se um ponto de apoio for possível, ele não está no peito, mas no pensamento.
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Para ilustrar convergências e diferenças, e para resumir este memorável itinerarium mentis in nihilum do século XX, cabem os versos que Gottfried Benn compôs à direção de Jünger, sobre a ligação externa e a separação interna, mas a partilha do fluxo, das horas, dos traços, do delírio e das feridas do que se chama século.
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Gottfried Benn expressou em seus versos à direção de Jünger as convergências e diferenças, resumindo o itinerarium mentis in nihilum do século XX.
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Os versos falam de uma ligação externa e de uma separação interna, mas da partilha do fluxo, das horas, dos traços, do delírio e das feridas do que se chama século.