O litígio fundamental: a latinização do grego: Para Heidegger, são Tomás—e com ele toda a ontologia medieval—“refere-se doxograficamente a
Aristóteles e dogmaticamente à Bíblia”. A questão não é que os medievais tenham “mal compreendido”
Aristóteles, mas que o compreenderam “de modo diferente, conforme o modo como o ser se dispensava a eles”. A latinização dos conceitos gregos (
ousia como
substantia,
alètheia como
veritas,
logos como
ratio) representa uma transformação decisiva que obscurece a experiência originária do ser. A tarefa da desobstrução (
Destruktion) será, portanto, reabrir o acesso a esta experiência, “desonerando a filosofia de seu elemento cristão, por um cuidado do Grec, não por ele mesmo, mas enquanto origem da filosofia”.