A reflexão sobre o que há de novo no conceito heideggeriano de temporalidade parte da constatação de que as ideias filosóficas são raras e decisivas, como o próprio Heidegger sugere ao resumir a história da filosofia por meio de conceitos como O Uno, Logos, ideia, ousia, energeia, substância, realidade, percepção, mônada, objetividade, autoposição da vontade da razão, amor, espírito, poder e vontade da eterna recorrência, indicando que a temporalidade figura entre essas poucas ideias fundamentais e que, embora o interesse central de Heidegger seja o Ser, foi a temporalidade que o colocou em seu caminho e prefigurou noções posteriores como Lichtung, Austrag e Ereignis.
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Cada pensador como portador de um único pensamento governante.
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Temporalidade como uma das raras ideias filosóficas decisivas.
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Centralidade do Ser e papel mediador da temporalidade.
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Afinidade entre ek-stasis, Lichtung, Austrag e Ereignis.
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Essas aproximações entre temporalidade e Ser não pretendem simplesmente transpor a análise da primeira para a dimensão do segundo, mas apenas indicar a afinidade estrutural entre ambas.
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O elemento novo na análise heideggeriana da temporalidade consiste na tentativa de dizer como o tempo ocorre, diferentemente de tradições que falaram do tempo desde
Heráclito e
Parmênides ou enfatizaram processo, como
Hegel, sem esclarecer como tal processo se move, já que a dialética hegeliana, embora proceda por negação (Aufhebung), não explica temporalmente a passagem de tese a antítese e síntese.
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Ênfase histórica no tempo e no processo.
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Insuficiência da dialética hegeliana para explicar o movimento.
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Negação como princípio não explicitamente temporal.
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A concepção de
Bergson, ao identificar tempo com continuidade, fluxo, passagem e duração autossuficiente, aproxima-se de Heidegger ao tratar coisas e estados como abstrações, mas permanece incapaz de descrever a estrutura da ocorrência ao pressupor que já se sabe como fluxo e transição se dão.
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Continuidade da vida interior como duração.
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Coisas e estados como instantâneos artificiais.
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Falta de descrição estrutural da ocorrência.
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A temporalidade em Heidegger não é um processo que ocorre no tempo, mas uma estrutura de ocorrência que se temporaliza, superando a serialidade derivada do tempo como sucessão de pontos-agora, tal como analisada por
Aristóteles.
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Temporalidade como estrutura.
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Distinção entre processo e temporalização.
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Crítica à serialidade aristotélica.
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O reconhecimento de que há processos no mundo não elimina que a estrutura da temporalidade, e em última instância o significado do Ser, constitui o pressuposto que torna possível qualquer processo e determina as épocas (Geschicke) do Ser como envios singulares cujo desenvolvimento subsequente apenas desdobra sua própria natureza.
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Processos como dados ônticos.
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Temporalidade como condição de possibilidade.
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Épocas do Ser como envios únicos.
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A analogia ôntica do jogo de beisebol, na qual o Ser lança e o homem responde, ilustra figurativamente o envio e a apropriação que inauguram o caráter processual de uma época, deixando em aberto a questão decisiva da instância que julga ou arbitra tal jogo.
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Ser como arremessador.
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Homem como aquele que erra ou é apropriado.
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Desenvolvimento processual da época.
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Interrogação sobre o árbitro.