Ao longo de dois milênios a filosofia desenvolveu o problema da identidade como mediação e síntese, culminando com
Leibniz,
Kant,
Fichte,
Hegel e
Schelling na centralidade da identidade transcendentalmente refletida, onde não se trata da simples unidade de algo consigo mesmo, mas da síntese mediada entre sujeito e objeto, de modo que em Hegel o ser se torna pensamento absoluto e em Fichte e Schelling o princípio A = A é reformulado como identidade ou indiferença entre sujeito e objeto, enquanto Schelling, em Of Human Freedom, aproxima-se de uma dimensão mais radical ao postular um ser anterior a todo fundamento e a toda dualidade — o sem-fundamento — ainda que o denomine “ser”.
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Leibniz e Kant como preparadores do caminho.
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Fichte, Hegel e Schelling como centralizadores da identidade na reflexão transcendental.
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Releitura idealista de
Parmênides: pensamento e ser como o mesmo.
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Fórmula hegeliana: o real é racional e o racional é real.
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Reformulações do princípio de identidade em Fichte e na Filosofia da Identidade de Schelling.
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Ideia schellinguiana do sem-fundamento anterior a toda antítese.
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Proximidade parcial de Schelling com a dimensão pensada por Heidegger.
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Ao deslocar o problema da identidade para além da metafísica da unidade consigo mesmo ou da síntese transcendental da reflexão absoluta, Heidegger interroga o próprio princípio de identidade como princípio do pensar e conclui que ele pressupõe o sentido de identidade, entendendo que a identidade pertence ao ser dos entes e reinterpretando a sentença de Parmênides de modo que ser e pensar pertençam ao Mesmo, onde o “é” significa pertencimento conjunto e a relação determina originariamente o modo de ser dos relacionados.
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Questionamento do princípio de identidade como princípio do pensar.
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Identidade como característica fundamental do ser dos entes.
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Reinterpretação de Parmênides: ser e pensamento pertencem ao Mesmo.
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Transformação de A = A em A é A como pertencimento.
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Relação como mais originária que os termos relacionados.
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Indeterminação prévia do que seja homem ou ser.
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Dasein como o “aí” do ser, além de subjetividade e existencialismo.
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Ao conceber identidade como pertencimento-conjunto, Heidegger distingue entre a ênfase metafísica na unidade sintética que ordena o múltiplo sob Deus ou o ser como causa suprema e a ênfase no pertencimento que mantém pensar e ser separados e ao mesmo tempo reunidos no Mesmo, exigindo um abandono da metafísica causal por meio de um salto que transforma o princípio de identidade em salto para fora da metafísica.
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Ênfase metafísica no elemento de conjunto como síntese sistemática.
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Deus ou ser como fundamento e causa primeira na tradição.
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Ênfase no pertencimento que mantém diferença e unidade simultaneamente.
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Necessidade de ultrapassar a metafísica que pensa o ser como causa.
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Impossibilidade de sair da metafísica por dedução argumentativa.
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O princípio como Satz entendido também como salto para fora da metafísica.