Para Heidegger, ser não designa a mera presença física acessível aos sentidos, mas a presença significativa das coisas que só se dá com os seres humanos, de modo que o ser entra em jogo com a humanidade e não há possibilidade de escapar da significação ou situar-se fora dela, pois o humano é lançado na significação simplesmente por ser humano e só é humano enquanto imerso nela, excedendo a priori as coisas ao estar sempre já além delas em relação com sua significância, sendo que os múltiplos mundos mutáveis em que se vive — como estudante, trabalhador ou pai — encontram-se saturados de significado, assim como tudo o que neles aparece, e tudo aquilo a que se presta atenção ou se pode mentalizar acaba por fazer sentido atual ou potencialmente.
-
A significação constitui a condição de possibilidade da presença dos entes.
-
Fora da significação, para o humano, há apenas a morte.
-
A relação com as coisas é sempre já mediada por sua significância.
-
Os mundos existenciais são estruturados como campos de sentido.
-
Tudo o que pode ser tematizado inscreve-se no horizonte do fazer sentido.
-
Ainda que vaga e indeterminada, a familiaridade com a significação orienta todas as ações, pois as coisas não são compreendidas primeiramente de modo empírico como simples dados sensoriais, mas apenas podem ser encontradas porque há engajamento a priori com sua possível significância, sendo o significado mais próximo do humano do que as próprias coisas, mais real do que elas e constitutivo de sua realidade, embora costumeiramente ignorado enquanto tal, já que se olha através do meio transparente da significação ao concentrar-se nas coisas significativas, deixando de lado o fato cardinal de que todo “é” significa “é significativo como” ou “faz sentido como”.
-
A compreensão antecede qualquer contato sensorial isolado.
-
O significado funda a realidade das coisas para o humano.
-
A transparência da significação encobre sua própria atuação.
-
O verbo “é” implica sempre uma estrutura de significatividade.
-
O significado envolve tudo como um ruído branco quase inaudível e como um brilho despercebido que confere realidade ao que aparece, sendo a familiaridade com o significado não apenas algo possuído, mas aquilo que se é, ainda que não seja necessário formular explicitamente que algo “é significativo como” isto ou aquilo, pois tal compreensão implícita opera silenciosamente tanto na reflexão teórica quanto no uso prático, sendo a significação evidente antes de todo entendimento temático e discurso, aplicando-se tanto às coisas do ambiente quanto ao próprio Dasein, sem a qual não seria possível compreender-se nem dizer “eu”, “você” ou “isso”.
-
A significação precede toda tematização explícita.
-
A compreensão implícita orienta comportamento teórico e prático.
-
A auto-compreensão depende de familiaridade pré-conceitual com o significado.
-
A possibilidade de linguagem funda-se nessa estrutura originária de sentido.