O sentido de filosofia prática como coincidência do teórico e do prático no próprio conteúdo da filosofia, presente em autores tão diversos quanto
Plotino, Meister
Eckhart,
Marx e
Kierkegaard, implica uma compreensão diferente, na qual a verdade do ser, ao instaurar-se epocalmente nos entes, torna impossível a derivação do prático a partir do ideal.
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Diversos autores, como Plotino, Meister Eckhart, Marx e Kierkegaard, compartilham a concepção da coincidência do teórico e do prático na filosofia.
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A compreensão heideggeriana da verdade do ser como instauração epocal nos entes impossibilita a derivação do prático a partir de um ideal.
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As maneiras como a verdade se institui, seja numa obra de arte ou numa ação política, são modos epocais ou regionais de seu advento.
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Torna-se, portanto, inútil delimitar uma filosofia prática em relação a uma teórica, pois a filosofia que descreve as instituições epocais da verdade do ser é, inteira e indissociavelmente, teórica e prática.
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A distinção fenomenal entre pensar e agir não é negada, mas ambas as atividades são vistas como normalizadas pela maneira como a presença se arranja para um tempo, de modo que as modulações alethiológicas ao longo da história marcam o teórico e o prático com seu selo epocal, e não o contrário.
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Pensar e agir são atividades fenomenalmente distintas, mas ambas são normalizadas pelo arranjo epocal da presença.
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A presença, articulada hoje sob o princípio do “arraisonamento” (compreensão da técnica como com-posição), normaliza a pensamento, a criação artística, os problemas políticos e todas as regiões de experiências possíveis.
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As modulações da verdade (aletheia) ao longo da história imprimem seu selo epocal tanto no teórico quanto no prático.
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A relação de determinação se inverte: não é mais o teórico que marca o prático, mas o arranjo epocal da presença que normaliza a ambos. (p. 45-46)