Não foi nem o “entendimento puro” nem o “espírito puro” que esboçaram, no início da modernidade, o imenso programa de uma explicação mecanicista abrangente da natureza e da alma (física, química, biologia, psicologia, sociologia, etc.).
Qualquer “tipo de pensamento” ou esquema antecipatório (no qual as visões de mundo e formas de ciência apresentam o ser-assim do mundo) tem origem através da “funcionalização” (funcionalização de um detalhe particular de intuições e
insights essenciais).
-
Um relativismo e historicismo (no sentido de O.
Spengler) não decorrem disto. Se em algum nível existencialmente relativo aos seus objetos o mundo não tem onticamente um lado formal, mecanicista, nenhum juízo subjetivo decisivo (poder), nenhuma vontade de poder poderia decifrar tal lado da experiência mundial.
-
Apenas as escolhas prevalecentes e específicas de formas de pensamento são sociológica e historicamente determinadas, não as formas como tais.
-
Qualquer um desses esquemas é ainda dirigido por uma forma de ethos, por um sistema vivo de valorização (privilégio de valor) e pré-amar.
-
Qualquer um desses sistemas de valor persiste através de uma classe social dominante e exemplar. Nada pode exemplificar melhor essas leis do que a origem social-histórica da visão de mundo moderna.
Epistemologia e Psicologia do Desenvolvimento
-
A tese pragmática, em todas as suas expressões, subscreve a “proposição” de que todo conhecimento é geneticamente apenas o resultado de uma espécie de ação interior e uma preparação para uma remodelação do mundo.
-
A teoria da percepção recebe mais atenção do que a teoria pragmática do pensamento por dois motivos:
-
O problema é também fisiológico e psicológico do desenvolvimento em múltiplos sentidos:
-
Curso de desenvolvimento de seres vivos.
-
Capacidades de realização psíquica de diferentes animais em relação aos humanos.
-
Processo de maturação (criança a adulto).
-
Desenvolvimento do conhecimento do ser humano histórico.
-
A questão é se e em que medida existem associações condicionais entre o impulso e o comportamento motor do organismo e a construção da sua visão do ambiente (e similarmente entre trabalho regulado e formas de conhecimento) que levam à educação dos órgãos e funções (fisiológicas e psíquicas) necessárias para a expansão da visão de mundo.
PS: SCHELER, Max. Cognition and work: a study concerning the value and limits of the pragmatic motifs in the cognition of the world. Tr. Zachary Davis. Evanston (Ill.): Northwestern university press, 2021.