Manfred S. Frings (1925–2008)
Filósofo teuto-americano, ensaísta e professor emérito da Universidade DePaul em Chicago, Manfred S. Frings é a autoridade máxima mundial nos estudos dedicados a Max Scheler e um dos principais expoentes da fenomenologia e da antropologia filosófica na América do Norte. Tendo atuado como editor-geral das obras completas de Max Scheler (Gesammelte Werke, em quinze volumes pela editora Bouvier), Frings desempenhou um papel determinante na tradução, fixação crítica, preservação do espólio e recepção internacional do pensamento scheleriano em língua inglesa. Paralelamente ao seu monumental trabalho de exegese, Frings desenvolveu contribuições teóricas originais na fenomenologia do tempo, na filosofia moral e na hermenêutica dos valores perante a crise da civilização técnica moderna.
1. Tratados Teóricos e Monografias Fundamentais sobre Max Scheler
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FRINGS, Manfred S. Max
Scheler: A Concise Introduction into the World of a Great Thinker. Pittsburgh: Duquesne University Press, 1965.
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Foco: Primeira introdução sistemática abrangente ao pensamento de
Scheler em língua inglesa; estabelece as linhas mestras da axiologia material, da sociologia do saber e da antropologia do vivente humano.
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FRINGS, Manfred S. Person und Dasein: Zur Frage der Ontologie des Wertseins. Den Haag: Martinus Nijhoff, 1969.
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Foco: Tratado de ontologia fenomenológica que investiga as relações constitutivas entre a noção de pessoa em
Scheler e a analítica existencial do Dasein em Martin Heidegger.
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FRINGS, Manfred S. The Mind of Max
Scheler: The First Comprehensive Guide Based on the Completed Works. Milwaukee: Marquette University Press, 1997.
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Foco: Obra magna e definitiva de Frings sobre o corpus scheleriano; exegese arquitetônica de toda a edição crítica em 15 volumes, mapeando a evolução do autor desde a epistemologia e fenomenologia dos sentimentos até a metafísica panenteísta tardia da tensão entre Espírito (Geist) e Impulso (Drang).
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FRINGS, Manfred S. LifeTime: Max
Scheler's Philosophy of Time. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2003.
2. Traduções Seminais e Edições Críticas de Obras de Max Scheler
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SCHELER, Max. Formalism in Ethics and Non-Formal Ethics of Values: A New Attempt toward the Foundation of an Ethical Personalism. Translated by Manfred S. Frings and Roger L. Funk. Evanston, IL: Northwestern University Press, 1973.
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Foco: Fixação da tradução em língua inglesa da obra-prima ética e fenomenológica de
Scheler, acompanhada de notas exegéticas fundamentais sobre a terminologia axiológica e a crítica ao formalismo kantiano.
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SCHELER, Max. Problems of a Sociology of Knowledge. Translated by Manfred S. Frings. Edited with an Introduction by Kenneth W. Stikkers. London: Routledge & Kegan Paul, 1980.
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SCHELER, Max. The Human Place in the Cosmos. Translated with an Introduction by Manfred S. Frings. Evanston, IL: Northwestern University Press, 2009.
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SCHELER, Max. Gesammelte Werke. 15 v. Herausgegeben von Manfred S. Frings. Bonn: Bouvier Verlag, 1969–1997.
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Foco: Direção, edição crítica e publicação integral dos manuscritos póstumos e das obras publicadas de Max
Scheler, estabelecendo o texto canônico de referência universal para os estudos fenomenológicos.
3. Obras Coorganizadas, Ensaios e Filosofia Autoral
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FRINGS, Manfred S. (ed.). Max
Scheler (1874–1928): Centenary Essays. The Hague: Martinus Nijhoff, 1974.
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Foco: Coletânea internacional de ensaios comemorativos do centenário de nascimento de
Scheler, reunindo as principais leituras fenomenológicas globais sobre ética, política e ontologia da pessoa.
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FRINGS, Manfred S. Philosophy of Prediction and Capitalism. Dordrecht: Martinus Nijhoff, 1987.
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FRINGS, Manfred S. (ed.). Bernard Lonergan and Max
Scheler: A Dialogue. Milwaukee: Marquette University Press, 1999.
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Foco: Confronto metodológico e epistemológico entre a fenomenologia axiológica de
Scheler e o método transcendental de Bernard Lonergan em torno da estrutura da intencionalidade e do autoconhecimento.
4. Eixos Metodológicos e Contribuição Teórica
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A Mediação e Consolidação Universal do Corpus Scheleriano: Sem o empenho documental e analítico de Frings, a complexa evolução textual dos manuscritos de
Scheler permaneceria dispersa e de difícil acesso. Ele elucidou as transições fundamentais do itinerário do autor: da fenomenologia católica inicial de
O Eterno no Homem à metafísica cosmoteândrica e dialética dos últimos anos, garantindo a fidelidade terminológica das traduções anglófonas.
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A Ontologia do Tempo Prévio e da Idade Viva: Ao sistematizar o pensamento de
Scheler sobre a temporalidade, Frings evidenciou que o tempo cósmico e o tempo da consciência derivam de um “tempo vivo” original (
life-time). O tempo da existência humana é finito não apenas por um término abstrato no futuro, mas porque é experimentado internamente como uma diminuição constante do horizonte temporal disponível à medida que a idade biológica e psicológica se adensa.
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O Estatuto da Pessoa como Ato e Não como Substância: Frings enfatizou incansavelmente a definição scheleriana da pessoa como uma unidade ontológica concreta que jamais se converte em objeto de conhecimento empírico ou científico. A pessoa humana só se manifesta e se realiza na efetivação livre de seus atos (atos de amor, conhecimento e volição), situando-se para além de qualquer coisificação psicológica, biológica ou mecanicista.