Como a intencionalidade de uma conduta é seu lugar numa história (story) concernente ao agente, segundo a referência de von Wright às Investigações Filosóficas de
Wittgenstein, torna-se necessário o conceito de explicação quase causal, de forma “isto aconteceu porque”, cujo caráter causal é apenas aparente, pois não requer conexão nômica e comporta estrutura teleológica implícita.
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A explicação causal em história aparece sob duas formas subordinadas a outros tipos de explicação — a busca das condições suficientes e a das condições necessárias —, como ilustra o exemplo das ruínas de uma cidade destruída, em que a causa humeana material só se torna histórica ao se articular com um pano de fundo de rivalidades políticas e consequências não humeanas.
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A explicação quase causal, exemplificada pelo desencadeamento da Primeira Guerra Mundial após o assassinato do arquiduque em Sarajevo, revela-se mais complexa que a explicação por razões de Dray, pois a mediação verdadeira é assegurada por cursos entrelaçados de inferências práticas que geram fatos novos, os quais alimentam por sua vez novas inferências práticas de todas as partes envolvidas.
A explicação quase causal restitui corretamente vários traços específicos da explicação histórica — a referência a ações humanas atestadas pela convicção do poder-fazer, a legitimidade de interrogar as intenções dos atores segundo o silogismo prático aristotélico, e a necessidade de coordenar esses núcleos com segmentos causais não práxicos —, mas deixa em aberto o que assegura a unidade entre os segmentos nômicos e os segmentos teleológicos do esquema explicativo.
Esse fio condutor que falta ao modelo de von Wright é, segundo a interpretação proposta, a própria intrigue enquanto síntese do heterogêneo, capaz de compreender numa totalidade inteligível circunstâncias, fins, interações e resultados não desejados, de modo que a explicação causal em história deveria ser precedida, como no caso da explicação teleológica, por uma compreensão narrativa que toma juntos segmentos nômicos e segmentos teleológicos antes que a lógica da explicação lhes ofereça sua reformulação mais adequada.