A instrução da ética pelo trágico procede desse reconhecimento do limite, mas a poesia não procede conceitualmente
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É principalmente através da sucessão das Odes líricas do coro (e também das palavras postas na boca de Hêmon e Tirésias) que se esboça, não um ensinamento no sentido mais didático do termo, mas uma conversão do olhar, que a ética terá por tarefa prolongar em seu próprio discurso
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A celebração do sol, na primeira Ode, é a de um olho — “olho do dia rutilante” — menos parcial que o dos mortais; vem um pouco mais adiante, proferida em modo gnômico, a famosa declaração que abre a Ode ao homem: “Numerosos são os deina da natureza, mas de todos o mais deinon é o homem” (v. 332-333)
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Deve-se, com Paul Mazon, traduzir deinon por “maravilha”? Na verdade o deinon, evocado várias vezes na peça, tem o sentido que a expressão “formidável” às vezes tem em francês: oscilando entre o admirável e o monstruoso, sendo mais deinon que qualquer homem, nesse sentido ambíguo da palavra, o herói trágico
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Mais tarde, quando o destino dos protagonistas estiver selado, o coro, deixado sem recurso de conselho, só pode gemer: “Quando os deuses abalam uma casa, a desgraça se abate sem trégua sobre a multidão de seus descendentes” (v. 584-585), e ainda: “Na vida dos mortais, nenhuma prosperidade excessiva chega sem que a desgraça a ela se misture” (v. 612-613)
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Aqui o trágico se revela na dimensão não filosófica já dita; diante do desastre, os anciãos do coro não farão mais que oscilar de um partido a outro, inclinando-se antes para o lado de Hêmon e Tirésias, dirigindo-se a Creonte: “Príncipe, convém, se ele dá parecer oportuno [trata-se de Hêmon], ouvi-lo, e tu faze o mesmo por ele: de ambos os lados [diplè] falastes bem” (v. 724-726)
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Só o elogio de Eros dá ao lamento uma altura de visão comparável à do hino ao sol, mas a essa altura não podem se manter os que se sabem eles mesmos “mortais e filhos de mortais” (v. 835); só a memória das derrotas imemoriais é que o coro saberá cantar: Dânae, Licurgo, a jovem sem nome, todos paralisados, imobilizados, petrificados, arremessados fora da práxis (v. 944-987)
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O único conselho ainda disponível será, em eco à exortação de Tirésias: “Cede ao morto, não firas um cadáver” (v. 1029); o corifeu ainda terá uma palavra que será para nós uma chave: a Creonte que exclamou “Ceder é duro, mas resistir e chocar-se contra a desgraça não o é menos”, ele replicará: “É preciso prudência [euboulias] — filho de Meneceu, Creonte” (v. 1098)
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Após uma invocação a Baco, no tom da Ode ao sol e da Ode a Eros, que preserva a altura do sagrado na indigência do conselho, o coro recai na vã lamentação: “É bem tarde, parece-me, que vês o que é justo [tèn dikèn]” (v. 1270)
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A última palavra do coro é de uma humildade dolorosa: “A sabedoria [to phronein] é de longe a primeira fonte de felicidade: não se deve ser ímpio para com os deuses. As palavras altivas, pelos grandes golpes com que as pagam os soberbos, ensinam-lhes [édidaxan], mas só quando já velhos, a serem sábios [to phronein]” (v. 1347-1353)