De outro modo que ser ou além da essência reforça a hipérbole até dar-lhe tom paroxístico
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Todo um trabalho preparatório de demolição consome as ruínas da “representação”, do “tema”, do “Dito”, para abrir além do “Dizer” a era do “Desdizer”; é em nome desse “Desdizer” que a assignação à responsabilidade se subtrai à linguagem da manifestação, a seu dito e a seu tema
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Enquanto desdizer, a assignação à responsabilidade assume o tom da hipérbole, num registro de excesso ainda não atingido; assim a assignação à responsabilidade é reportada a um passado mais velho que todo passado rememorável, portanto ainda suscetível de retomada numa consciência presente; a injunção releva de um aquém de todo começo, de toda archè: o desdito da archè se chama an-arquia
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Releva ainda da hipérbole a evocação do ser assignado, que não seria o avesso de nenhuma atividade, portanto de “uma responsabilidade que não se justifica por nenhum compromisso prévio”
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A partir daí a linguagem se faz cada vez mais excessiva: “obsessão do Outro”, “perseguição pelo Outro”, enfim e sobretudo “substituição do eu pelo Outro”; aqui se atinge o ponto paroxístico de toda a obra: “sob a acusação de todos, a responsabilidade por todos vai até a substituição. O sujeito é refém”
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E ainda: “a ipseidade, em sua passividade sem archè da identidade, é refém”; essa expressão, excessiva entre todas, é lançada aí para prevenir o retorno insidioso da autoafirmação de alguma “liberdade clandestina e dissimulada”, mesmo sob a passividade do si-mesmo assignado à responsabilidade
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O paroxismo da hipérbole parece dever-se à hipótese extrema — escandalosa até — de que o Outro já não é aqui o mestre de justiça, como em Totalidade e Infinito, mas o ofensor, que, como ofensor, requer não menos o gesto que perdoa e que expia
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Que seja bem esse o lugar aonde Lévinas queria conduzir seu leitor não é duvidoso: “Que a ênfase da abertura seja a responsabilidade pelo outro até a substituição — o para o outro do desvelamento, da mostração ao outro, virando em para o outro da responsabilidade — é em suma a tese da presente obra”; é aqui somente que o abismo cavado entre alteridade e identidade é transposto: “É preciso falar aqui de expiação, como reunindo identidade e alteridade”