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O arrancar da consciência à falsa alternativa da “boa” e da “má” consciência encontrando em Heidegger sua formulação mais radical
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A formulação que se resume nesta única frase: “A atestação de um poder-ser autêntico, é a consciência que a dá” ([234] trad.
Martineau, p. 175 ; cf. trad.
Vezin, p. 287)
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O poder-ser que a consciência atesta não sendo inicialmente marcado por nenhuma competência a distinguir o bem do mal
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A consciência sendo à sua maneira “para além bem e mal”, um dos efeitos da luta levada contra o pensar-valor dos neokantianos e contra o de Max
Scheler em sua Ética material [não formal] dos valores
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O apelo, a advocação (segundo a tradução proposta por E. Martineau) do Anruf, não tendo alguma força originariamente ética, ao sublinhar Sein em Dasein
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A consciência não dizendo nada: nem barulho, nem mensagem, mas um apelo silencioso
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O apelante não sendo outro que o Dasein ele mesmo: “No consciência, o Dasein se apela a si mesmo” ([275] trad. Martineau, p. 199 ; cf. trad. Vezin, p. 332)
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A dimensão de superioridade reconhecida na imanência integral do Dasein a ele mesmo: “o apelo não vem incontestavelmente de um outro que está no mundo comigo. O apelo vem de mim e, no entanto, ele me ultrapassa [aus mir und doch über mich]” (ibid.)
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A explicitação do traço de estranh(eir)eza (adotando a grafia de E. Martineau) pelo qual a consciência se inscreve na dialética do Mesmo e do Outro, constituindo a novidade
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A sutil aproximação feita entre a estranh(eir)eza da voz e a condição decaída (ou escoada?) do ser-lançado
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A confissão da passividade, da não-maestria, da afeção, ligadas ao ser-convocado, orientando-se para uma meditação sobre a neantidade, isto é, sobre o não-escolha radical que afeta o ser no mundo, considerado sob o ângulo da sua inteira facticidade
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A introdução tardia da noção de Schuld – “dívida”, segundo a tradução de Martineau – não restituindo a esta estranheza alguma conotação ética
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A insistência na ontologia da dívida, dissociando-se do que o senso comum prende à ideia de dívida, a saber, que ela seja para com alguém, que se seja responsável enquanto devedor, e que o ser um com o outro seja público
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A exigência de Heidegger de inquirir fundamentalmente sobre “o ser em dívida do Dasein” ([283] ; trad. Martineau, p. 204 ; cf. trad. Vezin, p. 340), portanto primeiro sobre um modo de ser
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O ser em dívida não resultando do endividamento (Verschuldung), mas o inverso, pondo fora de jogo os fenômenos vulgares de dívida, de endividamento
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A falha desvendada não sendo o mal, mas um traço ontológico prévio a toda ética: “O ser-fundamento de uma nulidade” (Grundsein einer Nichtigkeit) ([283] trad. Martineau, p. 204 ; cf. trad. Vezin, p. 341)
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O primado da ética sendo claramente despedido: “Se o ser-em-dívida originário não pode ser determinado pela moralidade, é que esta o pressupõe já para ela mesma” ([286] trad. Martineau, p. 206 ; cf. trad. Vezin, p. 344)
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A atestação engendrando uma certa criteriologia, ao menos a título de crítica do senso comum, em debate com a “explicitação vulgar da consciência”
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A crítica das noções de “boa” e de “má” consciência em termos vizinhos aos empregados anteriormente, atingindo a noção de “má” consciência de “vulgaridade”
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A noção de “má” consciência chegando tarde demais, depois do fato (sendo reativa, diria Nietzsche), faltando-lhe o caráter prospectivo inerente ao cuidado
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A “boa” consciência sendo afastada como farisaica, pois quem pode dizer “eu sou bom”?
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O ponto de vista deontológico de
Kant, a teoria scheleriana dos valores e a função crítica da consciência sendo rejeitados em bloco, tudo isto permanecendo na dimensão da preocupação
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O sentido da atestação sendo selado: “Convocação pro-vocante ao ser-em-dívida” ([295] trad. Martineau, p. 211 ; cf. trad. Vezin, p. 353-354)
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A ligação entre atestação e resolução parecendo trazer a noção de consciência ao campo da ética, pela expressão “querer ter consciência” ([295] trad. Martineau, p. 211 ; cf. trad. Vezin, p. 354)
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O se-projetar reticente e pronto à angústia para o ser-em-dívida o mais próprio sendo chamado a resolução ([297] trad. Martineau, p. 212 ; cf. trad. Vezin, p. 355)
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A consciência-atestação se inscrevendo na problemática da verdade, enquanto abertura e desvendamento
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A verdade mais originária, porque autêntica, do Dasein, sendo conquistada com a resolução ([297] trad. Martineau, p. 212 ; cf. trad. Vezin, p. 355)
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A resolução permanecendo indeterminada, cortada do pedido de outrem e de toda determinação propriamente moral
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A ontologia fundamental se guardando de toda proposição quanto à orientação na ação: “Na resolução, vai para o Dasein o seu poder-ser o mais próprio, o qual, enquanto lançado, só pode se projetar para possibilidades fácticas determinadas” ([299] trad. Martineau, p. 213-214 ; cf. trad. Vezin, p. 358)
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A impressão de o filósofo remeter o seu leitor a um situacionismo moral destinado a preencher o silêncio de um apelo indeterminado