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A composição da intriga realiza uma síntese entre múltiplos incidentes e uma história una e completa, transformando acontecimentos dispersos em totalidade inteligível.
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A intriga organiza circunstâncias, agentes, pacientes, encontros, interações, meios, fins e resultados imprevistos numa totalidade de concordância discordante ou discordância concordante.
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Toda história narrada reúne a sucessão aberta de incidentes e a configuração que integra, culmina e encerra a história, fazendo da narrativa uma mediação entre tempo que passa e tempo que dura.
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A história como síntese do heterogêneo envolve mediação entre incidentes e história una, primado da concordância sobre a discordância e competição entre sucessão e configuração.
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A composição narrativa possui inteligibilidade própria, pois a história bem narrada ensina algo e desenvolve uma inteligência narrativa próxima da sabedoria prática e do julgamento moral.
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A poesia narrativa e dramática oferece experiências de pensamento nas quais condutas, felicidade, infelicidade, fortuna e infortúnio são articulados pela imaginação ética.
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A narratologia contemporânea pode construir uma ciência do relato, mas apenas como simulação de segundo grau de uma inteligência narrativa prévia já exercida por quem conta e segue histórias.
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A narratologia reconstrói racionalmente regras profundas da atividade narrativa, como a linguística reconstrói leis da linguagem, mas permanece precedida pela inteligência narrativa da imaginação criadora.
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A análise permanece situada no nível primeiro da inteligência narrativa.
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O segundo corolário prepara a reinterpretação da relação entre narrativa e vida.
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A atividade narrativa possui vida própria no caráter tradicional do esquematismo narrativo.
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A tradição narrativa não é transmissão inerte, mas circulação viva entre sedimentação de modelos e reativação inovadora dos momentos criadores da composição poética.
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Os modelos narrativos, nascidos de inovações anteriores, orientam novas experimentações, fazendo de cada obra singular uma produção original ainda vinculada às regras recebidas.
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Fora dos relatos tradicionais, a desviação tende a prevalecer sobre a regra, e a relação entre sedimentação e inovação mantém viva a historicidade da imaginação narrativa.
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O paradoxo entre histórias narradas e vida vivida parece abrir um abismo entre ficção e vida.
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A superação desse abismo exige revisar seriamente os dois termos do paradoxo.
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Do lado do relato, a configuração narrativa só se completa no leitor, e é nessa leitura que a narrativa pode reconfigurar a vida.
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O mundo do texto abre um horizonte de experiência possível no qual o leitor pode habitar imaginativamente, fazendo fundir seu horizonte de experiência com o horizonte da obra.
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A distinção entre dentro e fora do texto resulta de um método de análise estrutural e não corresponde à experiência efetiva do leitor.
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A hermenêutica compreende o texto como mediação entre ser humano e mundo, entre seres humanos e entre o ser humano e si mesmo, articulando referencialidade, comunicabilidade e autocompreensão.
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A dinâmica de configuração literária prepara a dinâmica de transfiguração da experiência, pois a leitura reatualiza a composição da obra e completa sua capacidade de orientar novas interpretações.
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A leitura já reconcilia relato e vida, pois viver imaginariamente no universo fictício da obra é uma forma de experiência.
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O outro termo da alternativa, a vida, deve ser retificado contra a evidência falsa de que a vida apenas se vive e não se narra.
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A vida possui capacidade pré-narrativa, pois só ultrapassa o fenômeno biológico quando é interpretada, e a ficção media essa interpretação do agir e do sofrer humanos.
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O primeiro ancoramento narrativo da vida está na estrutura do agir e do sofrer, pois a semântica da ação já reúne projeto, fim, meio, circunstância e paixão numa inteligibilidade próxima da intriga.
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O segundo ancoramento narrativo está nos recursos simbólicos do campo prático, que determinam quais aspectos do agir podem ser transpostos poeticamente.
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A ação pode ser narrada porque já é articulada por signos, regras e normas, tornando-se um quase-texto cuja primeira legibilidade é fornecida pelo simbolismo imanente à prática.
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O terceiro ancoramento do relato na vida está na qualidade pré-narrativa da experiência humana, pela qual a vida aparece como história nascente e como atividade e paixão em busca de relato.
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A objeção de circularidade afirma que a experiência humana já estaria mediada por relatos recebidos, tornando difícil falar de narratividade anterior à literatura.
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A noção de estrutura pré-narrativa responde à objeção ao indicar situações em que a própria experiência apresenta narratividade virtual e demanda relato.
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A experiência cotidiana contém encadeamentos de episódios que aparecem como histórias ainda não contadas e oferecem pontos de ancoragem para o relato.
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A psicanálise mostra de modo exemplar a história não contada, pois o analisando traz fragmentos de histórias vividas que a análise transforma em relato mais suportável e inteligível.
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A situação judicial também revela o enredamento pré-narrativo, pois o acusado aparece envolvido em histórias antes que uma narrativa determinada seja formulada.
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A ficção narrativa é dimensão irredutível da compreensão de si, pois a vida examinada é uma vida narrada.
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A vida narrada reencontra as estruturas fundamentais da narrativa, especialmente a tensão entre concordância e discordância que articula a intriga.
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A definição aristotélica da intriga e a definição agostiniana do tempo podem ser confrontadas, pois o relato faz prevalecer a concordância sobre a discordância, enquanto a experiência temporal faz sentir a dissociação entre expectativa, memória e atenção.
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A vida, contemplada em conjunto, aparece como campo de atividade construtora pela qual se busca uma identidade narrativa, distinta tanto da sucessão incoerente quanto da substância imutável.
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A identidade narrativa permite aplicar à compreensão de si o jogo entre sedimentação e inovação, pois a autocompreensão se reinterpreta à luz dos relatos oferecidos pela cultura.
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A vida difere da ficção porque se pode tornar narrador de si mesmo sem se tornar autor absoluto da própria existência.
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O sujeito não é dado no ponto de partida; ele se forma como si instruído pelos símbolos culturais e sobretudo pelos relatos recebidos da tradição literária.
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A reflexão sobre a função narrativa em psicanálise nasce do encontro entre a teoria da narratividade e uma investigação independente sobre a criação histórica ou ficcional.
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A identidade narrativa situa-se no cruzamento entre o modo histórico, ligado aos documentos, e o modo ficcional, ligado à exploração do imaginário.
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A compreensão de si é narrativa, histórica e ficcional ao mesmo tempo, pois envolve documentos da própria existência e ensaios imaginários de intrigas sobre a própria vida.
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A insatisfação com o freudismo decorre da discordância entre a metapsicologia energética de
Freud e a riqueza da descoberta freudiana.
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A teoria freudiana, de modelo mecanicista e econômico, deixa escapar a dimensão da prática analítica, especialmente aquilo que ocorre na relação entre analisando e analista.
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A experiência analítica exige reintroduzir o elemento narrativo na criteriologia do fato analítico, sob a pressão da própria prática e de seus testemunhos clínicos.
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O fato analítico distingue-se por quatro elementos, sendo o narrativo o quarto.
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A experiência analítica pressupõe que a afetividade profunda não é estranha ao linguagem, pois mesmo o desejo recalcado mantém afinidade com a expressão simbólica.
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O pathos humano tem afinidade com o logos humano, e a cura analítica consiste em levar ao linguagem aquilo que foi excluído dele por dessimbolização.
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A censura freudiana pode ser compreendida como exclusão linguística, e a análise ressimboliza aquilo que havia sido excomungado da comunidade da linguagem.
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O desejo humano possui estrutura dialógica, embora o modelo freudiano costume representá-lo monologicamente como aparelho fechado.
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A relação edipiana com pai e mãe é uma estrutura linguística e dialogal, pois a criança nasce num mundo em que já se falou antes dela e entra por meio deles na comunidade da linguagem.
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A relação com a realidade e com os outros passa pelo imaginário, que pode ser lugar de ilusão, erro e méprise fundamental.
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O problema decisivo é saber se o ser humano consegue viver com seus fantasmas e transformá-los criativamente ou se eles lhe bloqueiam o acesso à realidade.
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A função simbólica possui aspecto virtualmente patológico quando o símbolo, em vez de dar a pensar e conhecer, produz ilusão e mistificação.
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A dimensão narrativa introduz o tempo de uma vida, articulando infância, desenvolvimento e arqueologia do desejo.
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A doença pode ser compreendida como denarrativização, pois o paciente não consegue constituir um relato inteligível e aceitável de sua vida a partir de sintomas fragmentários.
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A experiência clínica exige interrogar o modo como cada sessão analítica trabalha com relatos, especialmente quando o analisando conta sonhos.
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O sonho analisado não é o sonho sonhado, mas o relato do sonho, e a dimensão narrativa já está implicada no modo como a análise ordena e interpreta esse material.
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A cura visa ajudar o paciente a construir a história de sua vida com inteligibilidade e aceitabilidade, integrando lembranças, pseudo-lembranças, fantasias e episódios conflitivos.
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A psicanálise é hermenêutica porque o ser humano se compreende interpretando-se, e o modo temporal dessa autointerpretação é narrativo.
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A estrutura narrativa da existência não é literária no sentido estrito, pois permanece aberta no começo inacessível da própria concepção e no fim que não poderá ser narrado pelo próprio sujeito.
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A fragilidade da narrativa de vida decorre da ausência de conclusão, pois é possível contar várias histórias de si enquanto o sentido final permanece aberto.
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A clínica junguiana desloca a atenção dos conflitos infantis para a maturidade, quando a vida é avaliada em busca de sentido diante de seu fim.
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O relato de si depende de um horizonte de espera, pois a vida inacabada é narrada segundo a relação entre memória do passado e expectativa do futuro.
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A vida não possui a última página do livro, e a reestruturação narrativa liga a compreensão do passado à projeção de futuro, fazendo da identidade narrativa uma relação entre expectativa e relato.
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Ao fim do colóquio, a palavra deve retornar a
Freud, sem o qual a questão da relação entre psicanálise, arte e cultura não teria sido posta.
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A transposição analógica dos procedimentos psicanalíticos ao sonho, à neurose e à obra de arte deve ser completada pela visão freudiana da cultura nos escritos tardios.
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O sentido da cultura é definido por
Freud por três questões: diminuir o peso dos sacrifícios pulsionais, reconciliar com renúncias inevitáveis e oferecer compensações satisfatórias.
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A elaboração freudiana da tarefa da cultura coincide com a revisão da teoria das pulsões, na qual Éros passa a confrontar-se com a pulsão de morte.
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A estética deve ser recolocada no interior da visão cultural freudiana, na qual arte, satisfação e morte se articulam a partir do problema geral da cultura.
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O problema do prazer adquire sentido trágico quando a pulsão de morte mostra que o ser humano só encontra satisfação de modo simbólico diante da dureza da vida.
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O problema econômico da arte deve ser situado no conjunto da cultura, sob o signo de Éros, Thanatos e Anangkê.
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A religião é a via regressiva da ilusão, enquanto a arte aparece como forma não obsessiva e não neurótica de satisfação substitutiva, capaz de exibir fantasmas sem restaurar ficticiamente o pai.
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A função catártica da arte não esgota a posição de
Freud, pois o princípio de realidade constitui um segundo frente crítica mais profunda.
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O princípio de realidade envolve uma gradação que vai do oposto do fantasma à aceitação da necessidade, culminando numa visão trágica próxima do amor ao destino.
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Freud não se entrega a uma visão estética do mundo, pois a arte permanece aquém da educação terrível exigida pela necessidade.
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A interpretação freudiana do humor mostra inicialmente um poder estético de libertação diante da dor, da enfermidade e da morte.
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A nota posterior sobre o humor torna essa avaliação mais severa, compreendendo o sublime humorístico como triunfo narcísico do eu que se coloca acima do sofrimento.
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O humor não permite julgar toda a arte, mas revela um ponto extremo em que o prazer estético pode permanecer ligado à recusa da realidade.
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O cientismo freudiano não se reduz a banalidade positivista, pois está ligado a uma aceitação trágica da necessidade e a uma educação contra o narcisismo.
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A arte pode reconciliar-se com a necessidade ao revelar possibilidades que assombram o real e que convocam não apenas resignação, mas coragem e alegria.
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As questões finais deixam aberta a reflexão sobre a relação entre arte, necessidade, possibilidade e pensamento.