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Mesmo a sensação, facilmente redutível a um sinal físico, porta em seu caráter efêmero um excesso: a tendência do corpo a se esvanecer nas coisas.
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Isto é manifesto na visão, no tato, na audição, no olfato e no gosto, cada qual com seu ritmo próprio.
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Não se deve confundir o caráter efêmero das sensações (como fizeram empiristas/sensualistas) com a corruptibilidade do corpo.
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Há nelas algo que, embora fortemente inscrito no tempo, escapa ao tempo, como mostra sua singularidade capaz de reaparecer na reminiscência (Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”).
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A dissociação das sensações em cinco sentidos é algo abstrato/analítico.
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É preciso conceber que não há sensação que não seja um complexo de sensações, algo que Aristote (no “Tratado da Alma”) propôs pensar com o conceito de “senso comum”.
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É melhor falar do “mundo sensível” como algo que se mantém em si mesmo em sua coesão, com um “excesso do sensível no próprio sensível”.