Ensaio de Marc Richir em SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.
-
Estabelecimento do conceito monoteísta de Deus como Uno e como o próprio Étant même
-
Determinação inicial de Deus como absolutamente Um, sem partilha do ser com qualquer outro ente, definindo-se como ipsum ens, autó to On, no qual ser o ente constitui a matéria lógica da divindade
-
Exclusão de qualquer outro deus pela própria estrutura lógica do conceito, na medida em que a identidade entre Deus e o ser enquanto tal não admite alteridade ontológica
-
Descrição da implosão identitária do ser divino no Uno, figurada como um “buraco negro” no qual todo o ser se condensa no simples fato de ser o Étant même
-
Universalidade lógica do conceito de Étant même como fundamento de todo pensar conceitual
-
Afirmação de que “Deus é o Étant même” constitui o conceito de todos os conceitos, uma vez que nenhum objeto pode ser pensado sem que nele se pense o ente
-
Identificação do Étant même como conteúdo último de todo conceito, enquanto ens universale que subjaz a toda atividade conceitual
-
Reconhecimento do estatuto paradoxal desse conceito supremo, que, embora fundamente todos os conceitos, não encerra em si nenhum ser efetivo
-
Distinção entre o conceito universal de ser e o ser efetivo como resultado de um processo
-
Caracterização do Étant même como título ou sujeito universal do ser, isto é, como possibilidade universal de ser, mas não como portador de um ser efetivamente dado
-
Introdução da noção de processo ou Fortgang, no qual aquilo para o qual se procede não pode já estar posto no ponto de partida
-
Definição do processo como passagem da unicidade absoluta indistinta à unicidade de Deus como tal, interpretada fenomenologicamente como transição do monoteísmo originário da psicose transcendantale ao monoteísmo verdadeiro
-
Função do conceito de Deus como ponto de referência privilegiado entre pensamento e ser
-
Interpretação do conceito de Deus como Étant même como lugar em que o conceito se refere diretamente ao ente enquanto anterior, em direito, a todo conceito
-
Definição desse lugar como sede da tautologia simbólica, na qual o nome Deus pretende coincidir sem mediação com a Sache selbst, isto é, com o Étant même
-
Descrição da absorção total da apercepção por seu objeto, suprimindo toda distância e, com isso, toda possibilidade de ser efetivo
-
Determinação fenomenológica da consciência correspondente: a pura substantialidade
-
Identificação do momento de consciência implicado como o da pura substantialidade da psychose transcendantale
-
Compreensão da purificação filosófica do conceito de Deus como condução a um estado psicótico transcendental da apercepção de língua
-
Caracterização desse estado como buraco negro da apercepção, no qual a possibilidade do ser parece excluída
-
Distinção decisiva entre ser já dado no conceito e ser apenas possível
-
Separação entre o ser já posto pelo fato de Deus ser pensado como Étant même e o ser que ele é apenas como possibilidade universal
-
Afirmação de que o ser efetivo só pode sobrevir em acréscimo, como algo ainda por vir
-
Determinação desse sobrevir como ato, pelo qual o ser se torna atual ou efetivo
-
Unidade negativa entre conceito e ser no Étant même
-
Explicitação de que o Étant même, não possuindo ser fora do conceito, existe apenas como conceito
-
Formulação da identidade entre conceito e objeto do conceito, segundo a qual o objeto não tem outra existência senão a do próprio conceito
-
Qualificação dessa unidade entre ser e conceito como apenas negativa, isto é, como identidade que exclui toda positividade efetiva do ser
-
Excesso de concentração conceitual e bloqueio da transpassibilidade
-
Diagnóstico de um excesso de concentração no conceito purificado de Deus como Étant même, que o isola de toda possibilidade de transpassagem
-
Definição da possibilidade como algo que, embora transpossível, só pode sobrevir em acréscimo por meio de um ato
-
Reafirmação de que, nesse estágio, todo o ser foi absorvido pelo conceito, de modo que o ser não é senão ser do conceito
-
Tautologia simbólica absoluta e negatividade apofática
-
Interpretação da identidade entre conceito e ser como expressão da tautologia simbólica absoluta do absoluto
-
Compreensão dessa tautologia como resultado do desligamento do absoluto de todo ser possível, ao englobá-lo integralmente
-
Aproximação dessa negatividade extrema ao apofatismo neoplatônico, no qual a existência de Deus coincide com a existência de seu conceito
-
Afirmação do ser de Deus como essencialmente futuro
-
Rejeição da interpretação segundo a qual Deus seria nada, em favor da tese de que seu ser apenas pode advir
-
Formulação de Deus como aquilo que será, apoiada em referências bíblicas explícitas
-
Definição de Deus como livre em relação ao ser, possuindo a liberdade tanto de ser quanto de não ser, de assumir ou não assumir um ser
-
Impossibilidade de relação imediata entre Étant même e ser
-
Negação de uma relação imediata entre o Étant même e o ser, exceto se o primeiro for pensado como podendo ser por si mesmo
-
Identificação da coincidência quase inseparável entre o conceito de Étant même e o conceito de podendo-ser por si
-
Indicação de que essa coincidência prepara a mediação especulativa ulterior do ser que sobrevirá em acréscimo