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O indeterminado de princípio (que para nós remete ao fenomenológico) é pré-determinado pelo determinante metafísico da matéria (hyle). Isto é típico do pensamento aristotélico: a posição filosófica dos problemas é coextensiva a uma pré-determinação de seus termos, referindo-os ao real, ao ontológico.
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Isso significa a instituição simbólica da língua filosófica em si mesma, como língua autônoma que concerne ao ser do que é.
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A filosofia aristotélica tende a reduzir as questões em problemas a resolver, resolvendo-os de modo estritamente filosófico.
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Os termos desses problemas parecem irredutíveis, como únicos capazes de disciplinar o excesso da questão sobre o problema, criando uma impressão de fixismo ontológico e metafísico, onde os termos quase não “tremem” ou “se movem”.
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No problema alma-corpo, embora o dualismo seja “resolvido” na unidade do composto, a pensamento se dá, sob a forma da enteléquia, o excesso sobre o corpo.
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Em Aristóteles, não se encontra uma gênese do excesso a partir de algo onde ele não estivesse já dado.
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Ao descobrir os termos nos quais as questões filosóficas são tratáveis como problemas (em todo o campo do pensável), Aristóteles levou a filosofia ao ápice de sua instituição simbólica – razão de ser chamado “o Filósofo” na Idade Média.
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Seu corpus tem a aparência de ser inteiramente razoável. Doravante, dar vida ao excesso da questão sobre o problema só poderá ser feito contra Aristóteles – como no neoplatonismo antigo. Pensar contra ele será sempre atravessá-lo, fazendo o excesso das questões atuar nos problemas por ele postos, o que parecerá excessivo frente à serenidade aristotélica da práxis filosófica, voltada para o equilíbrio da conhecimento do que é.