A filosofia moderna, incluindo Immanuel
Kant e a tradição analítica, falha em superar a metafísica da presença ao tratar o ser meramente como uma não-propriedade lógica, sem questionar a origem do sentido de ser.
-
Crítica à tese kantiana de que ser não é um predicado real.
-
Cegueira dos filósofos analíticos às suas raízes metafísicas.
-
Persistência do pressuposto da presença.
Ser e Tempo representou uma tentativa de metafísica não tradicional que buscou fundar o ser na temporalidade, mas permaneceu enredado no modo de pensamento transcendental, exigindo o salto realizado nas Contribuições.
-
Êxito parcial na análise do ser do equipamento e do Dasein.
-
Falha em atingir a questão fundamental da doação do ser.
-
Bloqueio causado pela abordagem transcendental.
-
Salto direto para a questão do Seyn nas Contribuições.
A distinção terminológica tripartida é essencial para a clareza da investigação: o “ser dos entes” refere-se à significância múltipla; a “Seiendheit” aos padrões metafísicos universais; e o “Seyn” ao acontecer da doação dessa significância.
-
Ser dos entes como modos de fazer diferença ou ter importância.
-
Seiendheit como interpretação categorial tradicional.
-
Seyn como o dar do ser ou apropriação (Ereignis).
A natureza do Seyn não é uma entidade ou substância, mas o acontecimento contingente da apropriação que permite que os entes venham à clareira e tenham sentido, fundamentando a verdade como desvelamento.
-
Recusa de definições ontoteológicas.
-
Seyn como origem ou fundamento da verdade dos entes.
-
Dependência da revelação em relação àquele a quem ela se revela.
-
Distinção e entrelaçamento entre Seyn e verdade.
O conceito de “ser dos entes” deve ser ampliado para incluir “vias-de-sentido” (ways-of-sense) não teóricas, como hábitos culturais e disposições corporais, que constituem a “importância” (import) ou dynamis das coisas.
-
Inclusão de pureza, impureza e disposições de humor.
-
Definição de “import” como a diferença entre algo e nada.
-
Dynamis como poder de significar e revelar.
-
Inseparabilidade entre vias-de-sentido e habitar um mundo.
A tentativa de explicar a doação do ser através de causas ônticas (sociologia, neurologia, teologia) é inerentemente circular, pois qualquer ciência pressupõe uma compreensão prévia do ser do seu objeto de estudo.
-
Impossibilidade de um doador ôntico para o Seyn.
-
Circularidade da explicação sociológica ou fisiológica.
-
Necessidade filosófica de assumir a finitude e a contingência do sentido.
-
Função do espanto e da maravilha na interrogação filosófica.